Por que não existe tabela de preço confiável
A versão anterior deste artigo prometia "dar uma ideia geral de quanto você pode esperar gastar" e terminava enviando o leitor para uma tabela de preços que não existe mais. Publicava valores de 2018 para domínio, hospedagem e manutenção — números que envelheceram e passaram a enganar — e dizia que criar um site "pode levar até dez dias", prazo que não corresponde a projeto profissional nenhum.
Vale explicar por que este texto também não traz uma tabela: o preço acompanha o escopo, e o escopo não está definido no momento em que a pergunta é feita. A frase "site institucional de cinco páginas" descreve projetos com esforços radicalmente diferentes conforme quem escreve os textos, quantas telas têm estrutura própria e o que entra de otimização e manutenção. Um número solto, sem esses itens ao lado, engana os dois lados da conversa.
O que dá para publicar com honestidade é melhor do que uma tabela: a composição do preço, o peso de cada parte e o método para estimar o seu caso antes de pedir proposta.
As 6 frentes que formam o preço
- Planejamento — objetivo do site, mapa de páginas, definição do que entra e do que não entra;
- Conteúdo — redação das páginas, revisão, preparo de imagens;
- Design — o desenho de cada tipo de página, não de cada página;
- Desenvolvimento — transformar o layout em páginas que funcionam em qualquer tela, com formulários e integrações;
- Publicação — domínio, hospedagem, certificado, medição instalada e testes;
- Garantia e treinamento — período de correção, entrega dos acessos e instrução de como editar.
Repare na sexta: é a mais barata de todas e a primeira a ser cortada nas propostas mais baratas — o que transforma a economia de hoje no chamado pago de amanhã.
Quanto pesa cada frente
| Frente | Peso no orçamento | O que faz crescer |
|---|---|---|
| Planejamento | Menor | Número de públicos e de decisores |
| Conteúdo | Alto | Quantidade de páginas e quem escreve |
| Design | Alto | Tipos de página exclusivos e exclusividade visual |
| Desenvolvimento | Alto | Funcionalidades e integrações |
| Publicação | Menor | Porte da hospedagem |
| Garantia | Menor | Prazo de cobertura |
A coluna da direita revela o multiplicador principal: o número de páginas com estrutura própria puxa conteúdo, design e desenvolvimento ao mesmo tempo. Dez páginas que usam o mesmo modelo custam muito menos do que quatro páginas com estruturas diferentes — e é por isso que "quantas páginas?" é uma pergunta pior do que "quantos tipos de página?".
Os 4 níveis e a razão entre eles
Sem citar valores que envelhecem, dá para descrever a escada com precisão pela razão entre os degraus:
- Nível 1 — template pronto com sua marca: a base da escada. Textos por sua conta, layout de catálogo, publicação simples;
- Nível 2 — template bem customizado: costuma custar algumas vezes o nível 1, porque entra desenho próprio de seções, conteúdo revisado e otimização básica;
- Nível 3 — layout sob medida: costuma custar o dobro ou mais do nível 2, com redação profissional, estrutura por intenção de busca e páginas exclusivas por serviço;
- Nível 4 — projeto do zero com funcionalidades: sai da escala dos anteriores, porque deixa de ser site e vira, em parte, sistema — com regras, permissões e integrações.
O detalhe do que muda em cada degrau está em sites personalizados: os 4 níveis. E há um salto que costuma surpreender: quando o projeto passa a incluir carrinho, área logada ou integração com sistema de gestão, o preço deixa de acompanhar o número de páginas e passa a acompanhar o número de regras — a diferença explicada em sistema web x site.
O item que mais mexe no preço
Se você comparar propostas e encontrar uma diferença grande sem explicação aparente, comece por aqui: quem escreve os textos. É a frente que mais varia, porque é a que a maioria dos orçamentos assume em silêncio que o cliente vai entregar pronta.
Escrever cinco páginas de um site com clareza — dizendo o que a empresa faz, para quem, como funciona e por que confiar — leva mais tempo do que programá-las. Quando esse trabalho está incluído, o orçamento sobe; quando não está, ele desce e o projeto trava semanas depois, esperando o material que ninguém tinha combinado quem produziria. É a causa número um de atraso em criação de sites, e não um problema de preço.
O que encarece e o que não encarece
| Encarece de verdade | Não encarece tanto quanto parece |
|---|---|
| Tipos de página exclusivos | Mais páginas do mesmo modelo |
| Redação profissional das páginas | Trocar cores e fontes |
| Funcionalidades com regras (carrinho, login, agenda) | Formulário de contato |
| Integração com sistemas da empresa | Botão de WhatsApp |
| Versões em outro idioma | Instalar analytics |
| Muitos aprovadores e rodadas de revisão | Certificado de segurança |
A última linha da esquerda raramente entra na conversa e deveria: cada rodada extra de aprovação custa horas, e projetos com comitê de decisão são mais caros do que projetos com um responsável — mesmo com escopo idêntico.
Como estimar o seu em 5 passos
- Liste as páginas que o site precisa ter e marque quais têm estrutura diferente das outras. Esse segundo número é o que importa;
- Decida quem escreve cada uma — você, alguém da equipe ou o fornecedor. Escreva o nome ao lado;
- Liste as funcionalidades além de exibir conteúdo: formulário, agendamento, carrinho, área do cliente, catálogo com filtros;
- Liste as integrações com o que a empresa já usa: CRM, e-mail, sistema de gestão, meio de pagamento;
- Defina o nível de exclusividade visual que o negócio exige, do template ao projeto do zero.
Antes disso, porém, há uma decisão que vem primeiro: de que tipo de projeto você precisa — landing, institucional, catálogo, loja ou sistema. Essa escada está em quanto custa a criação de um site por tipo.
Com essas cinco respostas na mão, o orçamento que você receber vai ser sobre o seu projeto — e as propostas de fornecedores diferentes ficam comparáveis. Sem elas, cada um orça um site imaginário diferente. As perguntas de equalização estão detalhadas em criar um site custa caro?, o texto que trata do outro lado da moeda: como julgar se o preço vale.
"Não pergunte quanto custa um site. Descreva o site e pergunte quanto custa aquele — são conversas diferentes, com números diferentes."
Preço e prazo andam juntos
O texto original afirmava que um site "pode levar até dez dias para ser desenvolvido da maneira certa e profissional". Isso não corresponde a projeto profissional: o prazo típico é de seis a dez semanas, e o gargalo quase nunca é técnico. São duas coisas que determinam a data de entrega: quando o conteúdo fica pronto e quantas pessoas precisam aprovar.
Prazos de poucos dias existem, mas descrevem outro produto: template preenchido com texto genérico. Serve para validar uma ideia rapidamente e não deveria ser comparado, em preço, com um projeto completo. O encadeamento correto das fases está em o mapa organizacional da criação de sites.
O que se paga depois
Além do projeto, cinco linhas seguem existindo todo ano: domínio, hospedagem, manutenção técnica, conteúdo e evoluções. As duas primeiras são as menores e mais previsíveis — o domínio se paga uma vez por ano, e o valor atual de um .com.br pode ser consultado no Registro.br. Não publicamos números aqui de propósito: preço em texto envelhece, e foi exatamente isso que aconteceu com a versão anterior deste artigo.
Cabe ainda desfazer um erro do texto antigo, que dizia que "a manutenção é cobrada quando o site possui algum sistema de gerenciamento acoplado". Não é o painel que cria a necessidade de manutenção. Atualizações, backup e segurança são necessários em qualquer site publicado — com painel ou sem. A conta completa do custo de posse está em vantagens e desvantagens de possuir um site.
Parcelamento e o que exigir na proposta
Parcelar é comum, e o formato mais saudável vincula as parcelas a marcos: assinatura, aprovação do layout, publicação. Cada pagamento corresponde a uma entrega verificável, o que protege os dois lados. Exigência de pagamento integral antecipado, sem contrato com escopo e prazos, é um sinal de alerta descrito em como não cair em golpes na criação do site.
Independentemente do parcelamento, a proposta precisa dizer: escopo item a item, prazo com marcos, o que acontece se o material atrasar, tempo de garantia, valor da manutenção e em nome de quem ficam domínio, hospedagem e acessos.
5 sinais de orçamento baixo demais
- Não perguntaram quem escreve os textos — vão assumir que é você;
- Não perguntaram sobre o seu negócio — proposta feita sem entender o que você vende é proposta de template;
- Prazo de poucos dias — outro produto, comparado como se fosse o mesmo;
- Sem escopo escrito — o valor mais baixo costuma ser o entendimento mais raso;
- Nada sobre garantia, manutenção ou acessos — as três coisas que você só vai sentir falta depois.
Como caber no orçamento sem quebrar o site
- Reduza tipos de página, não a qualidade de cada uma;
- Escreva os textos você mesmo, com roteiro e revisão do fornecedor — a maior economia disponível;
- Comece com o essencial e acrescente páginas conforme a necessidade aparecer;
- Adie funcionalidades até haver demanda comprovada por elas;
- Concentre as aprovações em uma pessoa — reduz rodadas e, com elas, horas.
E o que não cortar: medição, otimização para busca, garantia e a titularidade dos acessos. Cortar esses quatro não reduz o custo — apenas o transfere para o ano seguinte.
5 erros ao pedir preço
- Pedir preço antes de descrever o site — cada fornecedor orça um projeto imaginário diferente;
- Comparar propostas sem equalizar escopo — o erro que gera quase toda frustração com preço;
- Olhar só o valor do projeto — e ignorar as cinco linhas que continuam depois;
- Achar que mais caro é melhor — mais caro deveria significar mais escopo, e isso precisa estar escrito;
- Não perguntar quem executa — quem faz o trabalho é parte do que você está comprando, como visto em como se chama o profissional que cria sites.
Perguntas frequentes
Quanto custa um site?
O preço é a soma de seis frentes de trabalho: planejamento, conteúdo, design, desenvolvimento, publicação e garantia. Não existe tabela confiável porque a mesma frase — site institucional de cinco páginas — descreve projetos com esforços muito diferentes. O caminho para um número real é definir o escopo item a item e pedir a proposta sobre ele, e não o contrário.
Por que ninguém publica uma tabela de preços de sites?
Porque o preço acompanha o escopo, e o escopo não está definido quando alguém pergunta o preço. Uma tabela publicada só funcionaria se cada linha viesse com o escopo completo — quem escreve os textos, quantas páginas exclusivas, o que é sob medida, o que entra de otimização e manutenção. Sem isso, o número engana os dois lados.
O que mais pesa no orçamento de um site?
Conteúdo e páginas exclusivas. A quantidade de telas com estrutura própria puxa design e desenvolvimento juntos, e a redação profissional das páginas é a frente que mais varia entre propostas — porque é a que a maioria assume, sem dizer, que o cliente vai entregar pronta.
Quanto custa o domínio e a hospedagem?
São as duas menores linhas do custo e as mais previsíveis: o domínio se paga uma vez por ano e a hospedagem, mensal ou anualmente, conforme o porte do site. Não publicamos valores aqui de propósito, porque preços mudam e número desatualizado em texto engana — consulte o valor atual do domínio no Registro.br e peça a hospedagem no orçamento.
Quanto tempo leva para criar um site?
Um projeto profissional costuma levar de seis a dez semanas, e o que determina o prazo raramente é a parte técnica: é quando o conteúdo fica pronto e quantas pessoas precisam aprovar. Promessas de poucos dias significam template preenchido com texto genérico — o que pode servir para validar uma ideia, mas não é o mesmo produto.
Site mais caro é sempre melhor?
Não. Preço maior deveria significar mais escopo — mais conteúdo, mais páginas exclusivas, mais funcionalidade —, não mais qualidade por definição. A pergunta certa diante de duas propostas distantes é o que exatamente a mais cara inclui que a outra não inclui. Se a resposta não for clara item a item, o preço não está justificado.
O que continua sendo pago depois que o site fica pronto?
Cinco linhas: domínio, hospedagem, manutenção técnica, conteúdo e evoluções. Uma correção importante: manutenção não é cobrada só porque o site tem painel de edição. Atualizações, backup e segurança são necessários em qualquer site publicado, tenha ele painel ou não.
Como saber se um orçamento está baixo demais?
Cinco sinais: não perguntaram quem escreve os textos, não perguntaram sobre o seu negócio, o prazo prometido é de poucos dias, não há escopo escrito e nada é dito sobre garantia, manutenção ou em nome de quem ficam os acessos. Orçamento barato costuma ser escopo pequeno, não desconto.
Dá para parcelar o site?
Em geral sim, e o formato mais comum vincula as parcelas a marcos do projeto — assinatura, aprovação do layout, publicação. Esse arranjo protege os dois lados, porque cada pagamento corresponde a uma entrega verificável. Desconfie de exigência de pagamento integral antecipado sem contrato com escopo e prazos definidos.