Onde este texto entra
Este blog tem três textos sobre custo de site, e vale dizer de saída qual responde o quê, para você ir direto ao que precisa:
- Criar um site custa caro? — como julgar se o preço vale, com as réguas de comparação;
- Quanto custa um site — a composição do preço: as seis frentes de trabalho e o peso de cada uma;
- Este texto — o custo por tipo de projeto: qual escopo você precisa contratar, e por quê.
A versão anterior deste artigo prometia "discutir os diferentes tipos de sites e seus respectivos custos" e resolvia cada tipo com a mesma frase — "o preço varia de acordo com o design e as funcionalidades" —, sem dizer o que muda entre eles. Terminava enviando o leitor a uma tabela de preços que não existe. É essa lacuna que este texto preenche.
O custo segue o tipo, não o tamanho da empresa
A pergunta que o cliente costuma fazer é "quanto custa um site para uma empresa do meu tamanho?". É a pergunta errada, e ela produz orçamentos que não servem.
Uma consultoria com trinta pessoas pode precisar de uma página. Uma loja de bairro com dois funcionários pode precisar de um e-commerce completo. O que define o esforço — e o preço — é o que o site precisa fazer, e isso não tem relação com o porte de quem contrata. Dentro de cada tipo o preço ainda varia bastante, mas a diferença entre tipos é de outra ordem de grandeza.
Os 6 tipos, lado a lado
| Tipo | Resolve | O que puxa o preço |
|---|---|---|
| Landing page | Converter tráfego de campanha | Redação e testes |
| Institucional | Ser encontrado e verificado | Nº de páginas exclusivas |
| Institucional + blog | Aparecer em mais buscas | Produção contínua de conteúdo |
| Catálogo | Mostrar produtos e preços | Quantidade e cadastro de itens |
| Loja virtual | Vender sem intervenção | Regras: estoque, pagamento, frete |
| Site com sistema | Operar com login | Permissões, estados e exceções |
Repare na coluna da direita: ela muda de natureza no meio da tabela. Nos três primeiros tipos o preço acompanha conteúdo e páginas; nos três últimos, passa a acompanhar operação e regras.
Landing page
É o projeto mais enxuto: uma página, um objetivo. Recebe tráfego de campanha e converte — ou não converte, e nesse caso o problema aparece rápido.
O que puxa o preço aqui não é a estrutura, que é simples: é a redação e os testes. Uma landing bem escrita exige entender a objeção principal de quem chega e responder a ela na ordem certa.
Uma ressalva importante, porque a confusão é frequente: landing page não substitui um site. Ela não sustenta presença permanente, não responde às várias dúvidas de quem procura a empresa e normalmente nem é indexada. A diferença entre os formatos está em landing page x one page.
Site institucional
É o tipo mais contratado e o que resolve a maioria dos casos: as páginas de que a empresa precisa para ser encontrada, entendida e verificada. Home, serviços, sobre, casos, contato.
O que puxa o preço não é o número de páginas, e sim o número de páginas com estrutura própria. Dez páginas que usam o mesmo modelo custam bem menos do que quatro com desenhos diferentes — a distinção que mais confunde quem compara orçamentos, detalhada em a composição do preço.
Institucional com blog
Aqui está uma correção necessária. O texto antigo dizia que "o custo de um blog depende muito do número de páginas e do layout escolhido". Não é assim. Tecnicamente, um blog é um modelo de página repetido — acrescenta pouco ao projeto, porque as páginas seguem todas o mesmo desenho.
O custo real do blog é o conteúdo, e ele não é do projeto: é da operação. Alguém precisa escrever com regularidade, indefinidamente. Por isso blog é decisão de rotina, não de escopo — e contratar a estrutura sem resolver quem escreve produz a situação mais comum do mercado: um blog com três textos de dois anos atrás. A conta desse investimento está em investir em marketing de conteúdo.
Catálogo sem checkout
O tipo que quase ninguém oferece e que resolve muita coisa: produtos, preços e condições publicados, com o pedido fechando por WhatsApp ou telefone.
Ele entrega a parte mais valiosa de uma loja — a pessoa decide fora do horário comercial — sem trazer junto estoque, pagamento, frete e trocas. O que puxa o preço é a quantidade de itens e o trabalho de cadastro: cem produtos com foto, descrição e variação dão trabalho independentemente da tecnologia.
Para muitos negócios que acham que precisam de e-commerce, este é o tipo certo — e a diferença de investimento é grande.
Loja virtual: onde está o salto
É aqui que a escada dá o maior degrau — e o motivo não é tamanho, é natureza. Do catálogo para a loja, o projeto deixa de ser um conjunto de páginas e passa a ter regras: o que acontece quando o estoque zera durante a compra, quando o pagamento é recusado, quando o frete não calcula, quando o cliente quer trocar.
Cada uma dessas perguntas precisa ser respondida, programada e testada — e nenhuma delas aparece como tela. O preço passa a acompanhar o número de regras, não o número de páginas, e é por isso que comparar o orçamento de uma loja com o de um institucional "do mesmo tamanho" não faz sentido. A distinção completa está em sistema web x site.
Site com sistema ou área logada
O topo da escada: cadastro de usuários, permissões, dados que ficam guardados e são consultados depois. Portal do cliente, agendamento, área de documentos, painel operacional.
Aqui vale um alerta de contratação: sistema não termina na entrega, ele começa. Exige backup testado, monitoramento, ambiente de testes separado e alguém com prazo de resposta — porque sistema parado interrompe a operação, enquanto site parado apenas incomoda. Orçar um sistema sem essa continuidade é orçar metade do problema.
5 perguntas para achar o seu tipo
- A pessoa precisa comprar sem falar com alguém? Se sim, loja. Se não, catálogo resolve;
- Alguém precisa entrar com login? Se sim, é sistema — e o projeto muda de categoria;
- Você vai publicar conteúdo com regularidade? Se sim, blog — mas defina quem escreve antes;
- Precisa mostrar muitos produtos? Se sim, catálogo ou loja, conforme a resposta 1;
- O tráfego virá de campanha para uma oferta específica? Se sim, landing — provavelmente além do site, não no lugar dele.
Nenhuma delas exige conhecimento técnico, e juntas colocam você em um dos seis tipos.
"Quanto custa um site é a pergunta de quem ainda não decidiu qual site. Decidida essa parte, o orçamento fica fácil — e comparável."
O erro de pedir o tipo errado
Acontece nas duas direções, e as duas custam caro:
- Pedir menos do que precisa — o escopo cresce no meio do projeto, e cada acréscimo vira cobrança adicional em um momento em que você já não pode recuar. É a origem mais comum de conflito entre cliente e fornecedor;
- Pedir mais do que precisa — paga-se por complexidade que nunca será usada e ainda se herda a manutenção dela. Loja virtual sem operação para sustentá-la é o exemplo clássico.
Os dois se evitam com o mesmo gesto: definir o tipo antes de pedir preço, usando as cinco perguntas da seção anterior.
Onde dá e onde não dá para economizar
| Dá para economizar | Não dá — só transfere o custo |
|---|---|
| Reduzir tipos de página | Cortar a medição |
| Escrever os textos com roteiro do fornecedor | Cortar a otimização para busca |
| Usar fotos próprias de boa qualidade | Abrir mão da garantia |
| Adiar funcionalidades até haver demanda | Deixar acessos em nome de terceiros |
| Escolher o tipo mais simples que resolve | Pular o ambiente de testes em sistemas |
E uma correção ao texto antigo, que sugeria economizar escolhendo "uma hospedagem mais econômica": a hospedagem é uma das menores linhas do custo total. Economizar ali costuma comprar lentidão, instabilidade e suporte ruim — problemas que custam visitantes e horas de trabalho muito acima da diferença. Os critérios de escolha estão em como escolher a hospedagem.
5 erros ao orçar por tipo
- Perguntar o preço antes de definir o tipo — cada fornecedor imagina um projeto diferente;
- Comparar tipos diferentes — orçamento de loja contra orçamento de institucional não é comparação;
- Contratar loja quando catálogo resolveria — o erro mais caro dessa lista;
- Contratar blog sem definir quem escreve — estrutura pronta e conteúdo nenhum;
- Orçar sistema sem a continuidade — backup, monitoramento e prazo de resposta fazem parte do custo, não são extras.
Perguntas frequentes
O que determina o custo da criação de um site?
O tipo de projeto, não o tamanho da empresa. Uma empresa grande pode precisar de uma página só, e um negócio pequeno pode precisar de uma loja completa. Dentro de cada tipo o preço ainda varia, mas a diferença entre tipos é de outra ordem de grandeza — por isso definir o tipo antes de pedir orçamento é o passo que mais economiza.
Quais são os tipos de projeto de site?
Seis, em ordem crescente de esforço: landing page, site institucional, institucional com blog, catálogo sem checkout, loja virtual e site com sistema ou área logada. Cada um resolve um problema diferente, e o salto de preço mais acentuado acontece quando o projeto passa a ter regras de negócio — do catálogo para a loja.
Landing page é mais barata que um site?
É o projeto mais enxuto porque tem uma página e um objetivo só. Mas atenção: ela não substitui um site. Landing page é feita para receber tráfego de campanha e converter; ela não sustenta presença permanente, não responde às várias dúvidas de quem procura a empresa e normalmente nem é indexada.
Blog encarece o projeto?
O que encarece não é o blog em si — tecnicamente ele é um modelo de página repetido, e acrescenta pouco ao projeto. O custo real do blog é o conteúdo: alguém precisa escrever com regularidade, indefinidamente. É por isso que blog é decisão de operação contínua, não de projeto.
Por que uma loja virtual custa muito mais?
Porque ela deixa de ser um conjunto de páginas e passa a ter regras: estoque, pagamento, frete, trocas, status de pedido e o que acontece quando algo dá errado no meio da compra. O preço passa a acompanhar o número de regras, não o número de telas — e é por isso que o salto entre catálogo e loja é o maior da escada.
Como sei de qual tipo eu preciso?
Responda cinco perguntas: a pessoa precisa comprar sem falar com alguém? Precisa entrar com login? Você vai publicar conteúdo com regularidade? Precisa mostrar muitos produtos? O tráfego virá de campanha para uma oferta específica? As respostas colocam você em um dos seis tipos sem precisar de nenhum conhecimento técnico.
O que acontece se eu pedir orçamento do tipo errado?
Uma de duas coisas, ambas caras. Se você pede menos do que precisa, o escopo cresce no meio do projeto e vira cobrança adicional quando já não dá para recuar. Se pede mais, paga por complexidade que nunca será usada e ainda herda a manutenção dela. Definir o tipo antes evita as duas.
Onde dá para economizar sem prejudicar o site?
Reduzindo tipos de página, escrevendo os textos com roteiro do fornecedor, usando fotos próprias e adiando funcionalidades até haver demanda real. Onde não dá: cortar medição, otimização para busca, garantia ou a titularidade dos acessos — isso não reduz custo, apenas transfere para o ano seguinte.
Economizar na hospedagem compensa?
Quase nunca, e vale desfazer esse conselho comum. A hospedagem é uma das menores linhas do custo total, e economizar nela costuma comprar lentidão, instabilidade e suporte ruim — problemas que custam visitantes e horas de trabalho muito acima da diferença economizada.