Caro comparado a quê
A versão anterior deste artigo prometia, na introdução, que "a seguir você conferirá os preços para criar um site" — e nunca informava o preço de criação nenhum. Falava de domínio e hospedagem com valores de 2018, sugeria que dava para fazer "de graça" e, dois parágrafos depois, afirmava que todo site precisa de domínio e hospedagem, que são pagos. Também trazia um link solto para "Criação de Sites em Itajaí" e o endereço de uma empresa de hospedagem colado no meio do texto, sem contexto.
Este texto responde de outro jeito, porque a pergunta do título tem um problema de forma: "caro" é uma comparação, e ela está incompleta. Caro em relação a quê? Sem o segundo termo, qualquer número parece alto — e é por isso que tabelas de preço convencem tão pouco. Quatro réguas resolvem melhor.
As 4 réguas para julgar o preço
- O custo de conseguir um cliente hoje — some o que você já gasta em anúncio, feira, comissão ou prospecção para trazer um cliente novo. O site entra nessa mesma conta, com uma diferença: ele não expira no fim do mês;
- O que ele substitui — quantas horas por semana alguém responde às mesmas perguntas por telefone, WhatsApp e e-mail? Multiplique por doze meses e compare;
- A alternativa — não estar lá quando alguém procura pelo que você faz. Esse é o custo invisível, porque você nunca fica sabendo da busca que terminou no concorrente;
- O prazo de retorno — quantos clientes o site precisa trazer para se pagar. É a régua mais objetiva das quatro, e está detalhada no fim deste texto.
Repare que nenhuma delas exige saber o preço médio de mercado. Elas comparam o site com o seu próprio negócio, que é a comparação que importa. Se o que você procura é a composição do orçamento — o que forma o preço e quanto pesa cada parte —, ela está em quanto custa um site; e o custo por tipo de projeto, em quanto custa a criação de um site.
Por que dois orçamentos variam cinco vezes
Você pede três propostas para "um site institucional de cinco páginas" e recebe valores que não se parecem. A explicação quase nunca é margem de lucro: as três propostas descreveram sites diferentes, e as diferenças estão em itens que ninguém colocou na conversa.
| Item | Proposta mais barata costuma assumir | Proposta mais cara costuma incluir |
|---|---|---|
| Textos | Você entrega prontos | Redação profissional das páginas |
| Layout | Template com sua cor e logo | Projeto visual sob medida |
| Páginas | Um modelo repetido | Estrutura própria por tipo de página |
| Imagens | Banco de imagens genérico | Tratamento das suas fotos |
| Busca | Nada | Estrutura, títulos e descrições otimizados |
| Medição | Não incluída | Analytics e Search Console instalados |
| Garantia | Entrega e encerra | Período de correção definido |
| Manutenção | Cobrada por chamado | Contrato mensal com escopo |
Equalize esses oito itens e os preços se aproximam bastante. Quando continuam distantes depois da equalização, aí sim há o que negociar — antes disso, você está comparando coisas diferentes.
Como equalizar propostas antes de comparar
Mande a mesma lista de perguntas para todos os fornecedores e coloque as respostas lado a lado:
- Quem escreve os textos de cada página — e quantas revisões estão incluídas;
- Quantas páginas exclusivas o projeto tem, e quanto custa uma página a mais;
- O layout é sob medida ou template — e qual template, se for o caso;
- O que está incluído de otimização para busca;
- Quais integrações entram no preço — formulário, WhatsApp, e-mail, sistema de gestão;
- Prazo, com marcos, e o que acontece se você atrasar o material;
- Garantia: quanto tempo e o que cobre;
- Manutenção: valor mensal e escopo, ou preço por chamado;
- Em nome de quem ficam domínio, hospedagem e acessos;
- De quem é o código e o conteúdo depois de pago;
- Quem executa o trabalho — a própria equipe ou terceiros.
As duas últimas perguntas costumam ser as mais reveladoras, e são também as que mais aparecem em como não cair em golpes na criação do site.
Correção: "plataforma gratuita" não é site grátis
O texto original citava "plataformas de criação de sites gratuitas, como o WordPress, Wix e Weebly". A frase junta três imprecisões que vale separar.
Primeiro, planos gratuitos não são gratuitos: são pagos em outra moeda — endereço dentro do domínio da plataforma, limitações de recurso e, com frequência, publicidade de terceiros na sua página. Segundo, o WordPress em sua versão de instalação própria é software livre, o que é diferente de site grátis: ele não cobra licença, mas exige domínio e hospedagem pagos, além do trabalho de configurar. Terceiro, a lista envelheceu — o cenário de ferramentas mudou bastante desde 2018, e citar nomes como se fossem equivalentes confunde mais do que ajuda.
O ponto que sobrevive é o do domínio: ele é o único ativo que continua seu independentemente da ferramenta, e o registro de um .com.br é feito no Registro.br. Não citamos valores aqui de propósito — preços mudam, e um número desatualizado no texto é pior do que nenhum.
Fazer sozinho: quando funciona e o que custa
Funciona em três situações: validar uma ideia rapidamente, atender a uma necessidade simples e temporária, ou quando o orçamento é realmente zero e a alternativa é não ter nada. Nesses casos, uma página bem-feita por você mesmo é melhor do que a espera por um projeto que não vai acontecer.
O que quase ninguém coloca na conta é o custo do seu tempo. A mensalidade da ferramenta é visível; as trinta ou quarenta horas de aprendizado, tentativa e ajuste não são. Se essas horas seriam gastas vendendo ou atendendo, elas têm um preço — e ele costuma superar a diferença entre fazer sozinho e contratar. Fazer sozinho é barato em dinheiro e caro em tempo; a escolha depende de qual dos dois é escasso no seu negócio agora.
As 5 formas de o barato sair caro
- Escopo cortado que volta como cobrança — o que ficou de fora aparece como adicional no meio do projeto, quando você já não pode recuar;
- Site que não se edita sem chamado — trocar um preço vira serviço pago, e o custo se repete o ano inteiro;
- Domínio em nome de terceiro — o erro mais caro de todos, porque não se resolve com dinheiro, se resolve com boa vontade alheia;
- Sem estrutura para busca — o site não é encontrado, e você passa a pagar anúncio para ter visitas que poderiam ser espontâneas;
- Sem manutenção — em pouco tempo o site quebra, envelhece ou é comprometido, e refazer custa mais do que teria custado manter.
Nenhuma dessas cinco aparece no orçamento. Todas aparecem na conta do ano seguinte — mesma lógica dos erros na hora de criar sites ordenados por custo de desfazer.
"Ninguém compara o preço de dois sites. Compara o preço de duas coisas diferentes que por acaso têm o mesmo nome."
Quando vale pagar mais — e quando não vale
| Situação | Vale pagar mais? | Por quê |
|---|---|---|
| O site é o principal canal de vendas | Sim | Cada ponto de conversão vira receita |
| Setor competitivo na busca | Sim | Estrutura e conteúdo decidem quem aparece |
| Integração com sistema de gestão | Sim | Exige back-end de verdade |
| Marca com padrão visual a manter | Sim | Consistência com os outros materiais |
| Cartão de visitas para quem já foi indicado | Não | O essencial resolve |
| Ideia ainda não validada | Não | Comece pequeno e evolua |
Os quatro níveis de personalização e o que cada um justifica estão em sites personalizados.
O que continua custando depois
Um orçamento honesto separa o preço do projeto do custo de posse. O segundo tem cinco linhas: domínio, hospedagem, manutenção técnica, conteúdo e evoluções. Elas são pequenas perto do projeto, mas se repetem todo ano — e são a razão de tanta gente se surpreender no segundo ano. A conta completa está em vantagens e desvantagens de possuir um site.
6 formas legítimas de reduzir o custo
- Comece com menos páginas e acrescente conforme a necessidade aparecer;
- Escreva os textos você mesmo, com roteiro e revisão do fornecedor — é a maior economia disponível;
- Use fotos próprias de boa qualidade em vez de ensaio profissional, ao menos no começo;
- Adie integrações para quando houver demanda real por elas;
- Prefira template bem customizado a projeto do zero quando a marca ainda não exige exclusividade;
- Feche a manutenção junto — contrato costuma sair melhor do que chamados avulsos, e evita o site abandonado.
Note o que não está na lista: cortar medição, cortar otimização para busca ou abrir mão dos acessos em seu nome. Isso não é reduzir custo, é adiar custo.
5 sinais de orçamento subdimensionado
- Não pergunta sobre conteúdo — quem não perguntou quem escreve vai assumir que é você;
- Não pergunta sobre o seu negócio — proposta feita sem entender o que você vende é proposta de template;
- Prazo curto demais — site sério não sai em poucos dias, porque conteúdo e aprovação levam tempo;
- Preço fechado sem escopo escrito — o valor mais baixo costuma ser o entendimento mais raso;
- Não menciona o que vem depois — nem manutenção, nem garantia, nem acessos. Quem cria sites e o que cada papel cobre está em como se chama o profissional que cria sites: orçamentos muito baratos costumam ser os que deixaram alguém de fora.
A conta que decide
Encerre a dúvida com uma divisão simples: valor do projeto ÷ margem que você ganha em um cliente médio = quantos clientes o site precisa trazer para se pagar.
Se o resultado for um número pequeno e alcançável em até um ano, a decisão é fácil e a discussão sobre "caro" acaba ali. Se for um número grande, vale investigar antes de culpar o preço do site: pode ser que o problema esteja na margem, no ticket ou no modelo de aquisição do negócio — e um site, por melhor que seja, não conserta isso.
5 erros ao avaliar preço
- Comparar propostas sem equalizar — o erro fundador de quase toda frustração com preço;
- Olhar só o valor do projeto — e ignorar as cinco linhas do custo de posse;
- Decidir pelo menor preço — que costuma ser o menor escopo;
- Não perguntar o que acontece depois — garantia, manutenção, quem responde;
- Tratar o site como despesa — despesa se corta, investimento se avalia por retorno. A pergunta certa não é quanto custa, é quanto precisa trazer.
Perguntas frequentes
Criar um site custa caro?
Caro é uma comparação, e a pergunta só faz sentido com o segundo termo: caro em relação a quê. Comparado ao custo de conseguir um cliente por outros meios, ao que ele substitui em trabalho repetido, à alternativa de não ser encontrado e ao prazo em que se paga, um site bem-feito costuma ser barato. Comparado a um número tirado do ar, qualquer preço parece alto.
Por que dois orçamentos do mesmo site variam tanto?
Porque quase nunca são o mesmo site. As diferenças estão no que ninguém pergunta: quem escreve os textos, quantas páginas exclusivas existem, se o layout é sob medida ou template, se há otimização para busca, se a medição é instalada, quanto tempo de garantia acompanha e quem faz a manutenção. Equalize esses itens e os preços se aproximam.
Dá para criar um site de graça?
Não para uso profissional, e vale desfazer a confusão. Planos gratuitos entregam endereço dentro do domínio da plataforma, limitações de recurso e, em muitos casos, publicidade de terceiros. Além disso, o WordPress em sua versão de instalação própria é software livre, o que não significa site grátis: ele exige domínio e hospedagem pagos, mais o trabalho de configuração.
Vale a pena fazer o site sozinho?
Vale quando o objetivo é validar uma ideia rápido, o site é simples e o seu tempo não está sendo cobrado de outra atividade mais rentável. O custo real não é a mensalidade da ferramenta: são as horas que você não passou vendendo ou atendendo. Se essas horas valem mais do que o orçamento recusado, fazer sozinho saiu caro.
Como o barato sai caro na criação de sites?
De cinco formas: o escopo cortado que vira cobrança extra depois, o site que não pode ser editado sem chamado, o domínio registrado em nome de terceiro, a ausência de otimização que obriga a pagar anúncio para ser visto e o projeto sem manutenção, que precisa ser refeito em pouco tempo. Nenhuma dessas aparece no orçamento — todas aparecem na conta do ano seguinte.
Quando vale pagar mais por um site?
Quando o site é o principal canal de vendas, quando o setor é competitivo na busca, quando existem integrações com sistemas que a empresa já usa e quando a marca precisa de consistência com outros materiais. Se o site é apenas um cartão de visitas para quem já foi indicado, pagar por complexidade que não será usada é desperdício.
Como reduzir o custo sem perder qualidade?
Seis caminhos legítimos: começar com menos páginas e crescer, escrever você mesmo os textos com roteiro do fornecedor, usar fotos próprias em vez de ensaio, adiar integrações para quando houver demanda, escolher template bem customizado no lugar de projeto do zero e fechar manutenção junto, que costuma sair melhor do que chamados avulsos.
O que continua custando depois que o site fica pronto?
Cinco linhas: registro do domínio, hospedagem, manutenção técnica, produção de conteúdo e eventuais evoluções. É o custo de posse, e ele é a parte que a maioria dos orçamentos não menciona — o que faz muita gente descobrir as quatro últimas linhas só no segundo ano do site.
Qual é a conta que decide se o site vale o preço?
Divida o valor do projeto pela margem que você ganha em um cliente médio. O resultado é quantos clientes o site precisa trazer para se pagar. Se forem poucos e dentro de um ano, a decisão é simples. Se forem muitos, o problema pode não ser o preço do site — pode ser o modelo de aquisição do negócio.