A resposta curta — e por que ela engana
A resposta que se lê em todo lugar é "web designer ou desenvolvedor web". A versão antiga deste post fazia isso e ia além: tratava os dois termos como sinônimos, alternando entre eles no mesmo parágrafo. Não são. E é justamente essa confusão que faz alguém contratar um profissional esperando o trabalho de outro — e descobrir tarde que o site "pronto" é um arquivo de imagens que ninguém consegue publicar.
A resposta honesta: não existe um nome só, porque não é um trabalho só. Criar um site envolve decidir a estrutura, desenhar, programar o que aparece, programar o que funciona por trás e manter tudo depois. São competências diferentes, com nomes diferentes — e conhecê-las é o que permite contratar certo.
Os 6 papéis: o que faz e o que não faz
| Papel | O que faz | O que não faz | Quando você precisa |
|---|---|---|---|
| UX/UI designer | Define estrutura, fluxo e wireframe antes do visual | Não programa; nem sempre finaliza o visual | Projetos com muitas páginas ou etapas |
| Web designer | Desenha as telas: layout, cores, tipografia, imagens | Não transforma o desenho em site funcionando | Sempre — alguém precisa desenhar |
| Dev. front-end | Programa o que roda no navegador: HTML, CSS, JavaScript, responsividade | Não cuida de servidor, banco de dados nem integrações | Sempre — alguém precisa construir |
| Dev. back-end | Servidor, banco de dados, formulários, integrações, área logada | Não desenha nem monta a interface | Sites dinâmicos, lojas, sistemas |
| Full stack | Front-end e back-end na mesma pessoa | Raramente é também designer | Projetos pequenos e médios |
| Webmaster / gestor de conteúdo | Atualiza, publica, monitora, aplica atualizações de segurança | Não faz o site do zero | Depois que o site entra no ar |
A coluna do meio é a mais útil: é o que cada um não faz que costuma virar a lacuna do projeto.
Web designer: o desenho, não o código
O web designer decide como o site vai parecer e entrega telas: hierarquia visual, layout de cada tipo de página, cores, tipografia, tratamento de imagens, estados de botão. É o profissional que traduz a marca para a tela. O que ele entrega são arquivos de design — em geral no Figma ou equivalente —, não um site publicado. Muitos web designers também programam a parte visual, e aí entregam o site funcionando; o ponto é que isso precisa estar combinado por escrito, porque não está implícito no título.
Os desenvolvedores: front-end, back-end e full stack
O desenvolvedor front-end transforma o desenho em site: escreve o código que o navegador lê, faz a versão de celular funcionar, cuida da velocidade de carregamento e do comportamento dos elementos. O desenvolvedor back-end cuida do que o visitante não vê: servidor, banco de dados, envio real dos formulários, integrações com WhatsApp, CRM e meios de pagamento, área do cliente. É a diferença entre um site que apenas mostra conteúdo e um que funciona de forma dinâmica. O full stack faz os dois — perfil mais prático em projetos pequenos, porque resolve o site inteiro sem depender de terceiros; em sistemas grandes, especialistas separados costumam entregar mais profundidade.
UX/UI designer: as decisões antes do desenho
O UX designer (experiência do usuário) trabalha antes de existir qualquer cor: define quais páginas existem, o que cada uma precisa responder, em que ordem a informação aparece e por onde o visitante caminha até a ação. A entrega típica é o wireframe — o esqueleto em cinza. O UI designer cuida da camada seguinte, a interface visual; nas equipes menores, os dois papéis são a mesma pessoa, e frequentemente o próprio web designer. A lógica que sustenta esse trabalho está em a importância da arquitetura de informação.
Webmaster e gestor de conteúdo: depois do site no ar
O papel mais esquecido no orçamento e o mais necessário no longo prazo. O webmaster mantém o site vivo: publica novidades, atualiza textos e imagens, confere se os formulários continuam chegando, aplica atualizações de segurança do sistema, acompanha velocidade e indexação, renova domínio e certificado. Em empresas pequenas esse papel volta para quem fez o site, em contrato de manutenção, ou fica com alguém treinado internamente — o que exige que o site tenha sido feito com um sistema de gestão de conteúdo acessível. Sem esse papel definido, o site congela no dia da publicação.
E o redator e o profissional de SEO?
Não estão na lista dos seis porque não "criam o site" — mas sem eles o site não cumpre a função. O redator escreve os textos de cada página, e essa é a etapa que mais atrasa projetos quando ninguém foi designado para ela. O profissional de SEO define quais buscas cada página deve atender e garante a base técnica (títulos, estrutura, velocidade, indexação) antes da publicação. Vale a pergunta explícita no momento da contratação: quem escreve os textos? Muita gente presume que vem incluído; muita gente do outro lado presume que o cliente entrega.
"O problema não é contratar um web designer. É contratar um web designer achando que está contratando um desenvolvedor, um redator e um webmaster."
De quem você precisa, pelo tipo de projeto
- Site institucional de 5 a 15 páginas: um profissional que desenhe e programe (designer com front-end, ou full stack com bom olho visual), mais quem escreva os textos;
- Site com blog e formulários: o mesmo, mais um sistema de gestão de conteúdo e alguém definido para manter;
- Loja virtual: entra o back-end de verdade — pagamento, estoque, frete, integrações — e o papel de manutenção passa a ser contínuo;
- Sistema ou área logada: aí sim os papéis se separam, com front-end e back-end dedicados e alguém coordenando.
Como esses papéis se distribuem pelas fases, com entregas e aprovações, está em como funciona um mapa organizacional da criação de sites.
As 4 perguntas antes de contratar
- Quem escreve os textos do site? Se a resposta for "você nos manda", some semanas ao prazo — ou contrate um redator;
- Quem vai poder editar o conteúdo depois, e como? Revela se haverá um sistema de gestão ou dependência eterna de quem construiu;
- O que está incluído e o que não está? Design, código, textos, imagens, domínio, hospedagem, publicação, treinamento, SEO técnico — item por item;
- Quem cuida do site depois que ele entrar no ar? Se ninguém responder, o papel de webmaster ficou vago e o site vai envelhecer.
Freelancer, agência ou plataforma
Plataforma de montar sozinho: você acumula todos os papéis. Serve para quem tem tempo, precisa de algo simples e aceita o resultado que consegue produzir. Freelancer: costuma cobrir bem projetos pequenos de escopo claro, com dois riscos a combinar antes — as lacunas de papel (texto, SEO, manutenção) e a disponibilidade depois da entrega. Agência: entrega os papéis reunidos, com processo, prazo e continuidade; faz diferença quando o site precisa gerar contatos e ser mantido ao longo do tempo. A escolha certa depende menos do preço e mais de quantos papéis você mesmo vai assumir.
Por que "só um designer" costuma não bastar
Porque depois das telas ainda faltam: transformar o desenho em código, fazer funcionar bem no celular, fazer o formulário realmente enviar e chegar, otimizar velocidade, configurar domínio e certificado, publicar, instalar medição, cuidar da base técnica de SEO e treinar quem vai editar. Nada disso é trabalho de design — é trabalho de desenvolvimento e de publicação. Quando o mesmo profissional faz tudo, ótimo; quando não faz, alguém precisa fazer, e é melhor descobrir isso no orçamento do que na semana da publicação.
5 erros ao contratar quem vai fazer o site
- Presumir que designer e desenvolvedor são a mesma coisa — e receber telas em vez de site;
- Não combinar quem escreve os textos — a fase que mais atrasa projetos;
- Esquecer a manutenção — site publicado e congelado no mesmo mês;
- Contratar pelo portfólio visual apenas — sem verificar se os sites do portfólio funcionam bem no celular e carregam rápido;
- Não definir quem tem acesso ao domínio e à hospedagem — e ficar refém de terceiros para qualquer mudança.
Perguntas frequentes
Como se chama o profissional que cria sites?
Não há um nome só, porque não é um trabalho só. Os títulos mais usados são web designer (desenha), desenvolvedor front-end (transforma o desenho em código que roda no navegador), desenvolvedor back-end (faz o servidor, o banco de dados e as integrações), full stack (faz front e back), UX/UI designer (decide a estrutura e o fluxo antes do desenho) e webmaster ou gestor de conteúdo (mantém o site depois de publicado).
Qual a diferença entre web designer e desenvolvedor web?
O web designer decide como o site vai parecer e entrega telas: layout, cores, tipografia, hierarquia visual. O desenvolvedor transforma essas telas em um site que funciona no navegador, com código, formulários, integrações e responsividade. São competências diferentes; algumas pessoas dominam as duas, mas contratar uma esperando a outra é a origem de metade dos projetos travados.
Preciso contratar seis profissionais para fazer um site?
Não. Em um site institucional pequeno, uma ou duas pessoas costumam acumular todos os papéis, e isso funciona bem. O que muda com o tamanho do projeto não é o número de contratações, e sim o que você precisa verificar antes de contratar: se quem vai fazer domina de fato as etapas que o seu projeto exige.
O que é um desenvolvedor full stack?
É quem faz tanto o front-end (o que aparece no navegador) quanto o back-end (servidor, banco de dados, integrações). Para sites institucionais e projetos pequenos, é o perfil mais prático, porque resolve o projeto inteiro sem depender de terceiros. Em sistemas grandes, especialistas separados costumam entregar mais profundidade em cada camada.
O que perguntar antes de contratar quem vai fazer meu site?
Quatro perguntas: quem escreve os textos do site; quem vai poder editar o conteúdo depois e como; o que exatamente está incluído (design, código, conteúdo, publicação, treinamento) e o que não está; e quem cuida do site depois que ele entra no ar. As respostas revelam qual papel a pessoa realmente exerce e onde ficarão as lacunas.
Freelancer, agência ou plataforma: qual escolher?
Plataforma de montar sozinho serve para quem tem tempo e precisa de algo simples. Freelancer costuma cobrir bem projetos pequenos com escopo claro, com o risco de ficar sem suporte depois. Agência entrega os papéis reunidos, com processo, prazo e continuidade — o que faz diferença quando o site precisa gerar contatos e ser mantido ao longo do tempo.
Um designer sozinho consegue entregar meu site pronto?
Entrega o desenho, não necessariamente o site funcionando. Depois das telas ainda faltam código, responsividade, formulários que realmente enviem, velocidade, domínio, publicação e a base técnica de SEO. Quando o designer também programa, ele entrega tudo — mas isso precisa estar combinado por escrito, não presumido.
Quem cuida do site depois que ele fica pronto?
O webmaster ou gestor de conteúdo: atualiza textos e imagens, publica novidades, acompanha o funcionamento dos formulários, aplica atualizações de segurança e monitora velocidade e indexação. Em empresas pequenas, esse papel costuma voltar para quem fez o site, em contrato de manutenção, ou para alguém treinado internamente.