O golpe raramente parece um golpe
A versão antiga deste post dizia para "pesquisar bem" e "desconfiar de ofertas boas demais" — conselhos corretos e inúteis, porque não descrevem nenhum golpe concreto. Na prática, quem aplica esses golpes se parece com um fornecedor comum: tem site, portfólio, proposta em PDF e responde rápido. O que muda são detalhes específicos, e é possível listá-los. Uma observação importante de honestidade: nem tudo nesta lista é fraude criminal. Alguns itens são práticas abusivas ou descuidos do fornecedor — mas o prejuízo para você é o mesmo, e a verificação também.
Os 6 golpes mais comuns
| Como se apresenta | O prejuízo real | Como verificar antes | |
|---|---|---|---|
| 1. Domínio no nome do fornecedor | "Deixa comigo, é mais prático" | O endereço da empresa não é seu | WHOIS: titular deve ser o seu CNPJ |
| 2. Site "grátis" com mensalidade | Sem custo inicial, só a mensalidade | Nunca para de pagar e não pode levar | Perguntar o custo de saída e de quem é o código |
| 3. Primeiro lugar garantido | Garantia de posição em prazo curto | Dinheiro perdido, e risco de punição | Ninguém garante posição no Google |
| 4. Serviços que não existem | "Cadastro em 500 buscadores" | Paga por algo sem efeito | Os buscadores relevantes são gratuitos |
| 5. Pagamento integral antecipado | Desconto para pagar tudo à vista | Sem entrega e sem recurso | Parcelas por etapa, com contrato |
| 6. Boleto falso de renovação | Carta ou e-mail imitando o registrador | Paga a terceiro; pode perder o domínio | Data real de expiração no WHOIS |
1. O domínio no nome do fornecedor
O mais frequente e o menos percebido. Na contratação, o fornecedor se oferece para "cuidar de tudo", registra o domínio e a hospedagem em nome próprio e entrega o site funcionando. Tudo corre bem — até o dia em que você quer trocar de fornecedor. Aí o endereço da sua empresa na internet pertence juridicamente a outra pessoa, e a transferência depende da colaboração dela. Nas versões mais duras, vira negociação com valor. Verificação: consulte o WHOIS do seu domínio e confira o campo de titular, como explicado em o que é o protocolo WHOIS. Deve constar o CNPJ da sua empresa.
2. O "site grátis" com mensalidade eterna
A oferta é sedutora: nada a pagar no início, só uma mensalidade modesta. O que não se diz é que a mensalidade nunca acaba e o site não é seu: ao cancelar, você não leva o layout, o conteúdo nem o endereço — recomeça do zero em outro lugar. Ao longo de três ou quatro anos, o total pago costuma superar bastante o custo de um site próprio. Não é ilegal; é um modelo de aluguel apresentado como propriedade. As duas perguntas que resolvem: quanto custa sair, e o que eu levo comigo se sair?
3. A promessa de primeiro lugar no Google
Ninguém controla o algoritmo do Google — e o próprio Google afirma que nenhuma empresa pode garantir posições. Um profissional sério fala em probabilidade, prazo e histórico: "para essas buscas, com esse nível de concorrência, o objetivo é chegar à primeira página em seis a nove meses". Quem garante posição em trinta dias está mentindo ou pretende usar práticas que colocam o site em risco — links comprados e afins, que estão entre os erros mais comuns em SEO justamente por gerarem punição.
4. Serviços que não existem
Uma categoria própria: cobrança por trabalho que não produz efeito nenhum. Os clássicos são o "cadastro do seu site em 500 buscadores" (os buscadores relevantes descobrem sites sozinhos, e o cadastro no Google Search Console e no Bing Webmaster Tools é gratuito e leva minutos), a "otimização de meta keywords" (etiqueta que os buscadores ignoram há mais de uma década) e a "submissão a diretórios" em massa, que além de inútil pode ser prejudicial. Sinal de alerta: serviços descritos por quantidade — 500 buscadores, 100 diretórios, 1.000 backlinks.
5. Pagamento integral antecipado
O padrão do mercado é pagamento parcelado por etapas entregues: uma parte no início do projeto, uma na aprovação do layout, uma na publicação. Quando alguém insiste em receber tudo antecipadamente — geralmente com um desconto atraente e alguma pressa —, você perde o único instrumento real de garantia. O roteiro típico depois: prazo estendido com justificativas técnicas, respostas cada vez mais espaçadas, e o desaparecimento. Se o valor for pequeno, muita gente nem tenta reaver. Combine as etapas por escrito, e vincule cada pagamento a uma entrega verificável — as fases estão descritas em o mapa organizacional do projeto.
6. O boleto falso de renovação de domínio
Este atinge quem já tem site, e é dos mais eficazes justamente por chegar a quem não está esperando. Uma cobrança por carta, e-mail ou mensagem avisa que o seu domínio vai expirar e traz um boleto com aparência oficial, às vezes imitando a comunicação de um registrador conhecido. Quem paga transfere dinheiro a um terceiro sem receber nada — e, em algumas variações, autoriza a transferência do domínio para outra empresa. A defesa é simples: antes de pagar qualquer cobrança de domínio, confira no WHOIS a data real de expiração e quem é o seu registrador, e pague exclusivamente dentro do painel oficial dele. Cobrança que chega por fora, nunca.
"Fornecedor sério passa em dez minutos de verificação sem esforço nenhum. Quem não passa, avisou de graça."
Como checar um fornecedor em 10 minutos
- CNPJ e endereço — confira se existem e se batem com o que a proposta diz. Empresa sem CNPJ visível não é impedimento para um freelancer, mas muda a forma do contrato;
- Três sites do portfólio, abertos no celular — carregam rápido? funcionam bem? Se os sites que ele mostra como trabalho estão lentos ou quebrados, você já sabe o que vai receber;
- WHOIS desses sites do portfólio — a data de criação e o titular ajudam a confirmar que são clientes reais, e não capturas de tela de outro lugar;
- Avaliações fora do site dele — perfil no Google, redes sociais, reclamações públicas. Depoimentos só no próprio site valem pouco;
- Contato humano — uma conversa por telefone ou vídeo. É o teste que mais elimina, porque exige alguém real do outro lado.
As 5 cláusulas que todo contrato deve ter
- Escopo detalhado: quantas páginas, o que está incluído (textos? imagens? SEO técnico? treinamento?) e, principalmente, o que não está;
- Prazos por etapa, com o que depende de você — e o efeito de um atraso seu no cronograma;
- Pagamento vinculado a entregas, e não a datas do calendário;
- Titularidade explícita: domínio, hospedagem, código-fonte e todos os acessos no nome do contratante. É a cláusula que mais protege, e a mais fácil de esquecer — o motivo está em por que o código-fonte é o entregável que importa;
- Manutenção e suporte após a entrega: o que está incluído, por quanto tempo e o custo depois disso.
O que fazer se você já caiu
- Reúna as provas — proposta, contrato, mensagens, comprovantes de pagamento, prints de conversas;
- Registre boletim de ocorrência e procure os órgãos de defesa do consumidor;
- Avalie a via judicial com orientação de um advogado — em valores menores, os juizados especiais costumam ser um caminho viável;
- Recupere o que der: consulte o WHOIS para saber quem é o titular do domínio e o registrador, e converse diretamente com o registrador sobre o processo de transferência ou de contestação de titularidade;
- Reconstrua com quem entregue os acessos — e comece pelo contrato, não pelo layout.
Perguntas frequentes
Quais são os golpes mais comuns na criação de sites?
Seis se repetem: registrar o domínio no nome do fornecedor, o site grátis que cobra mensalidade eterna e não pode ser levado embora, a promessa de primeiro lugar garantido no Google, a venda de serviços que não existem (como cadastro em centenas de buscadores), o pagamento integral antecipado sem contrato e o boleto falso de renovação de domínio. Nem todos são fraude criminal — alguns são apenas armadilhas contratuais.
É golpe registrar o domínio no nome da agência?
Nem sempre é fraude, mas é sempre um problema para você. Muitas vezes acontece por comodidade, não por má-fé. O efeito é o mesmo: o endereço da sua empresa na internet pertence juridicamente a outra pessoa, e trocar de fornecedor passa a depender da colaboração dela. Verifique no WHOIS: o titular deve ser o CNPJ da sua empresa.
Alguém pode garantir o primeiro lugar no Google?
Não. Ninguém controla o algoritmo do Google, e o próprio Google afirma que nenhuma empresa pode garantir posições. Um profissional sério fala em probabilidade, prazo e histórico — nunca em garantia. Promessa de primeiro lugar em prazo curto costuma vir acompanhada de práticas que colocam o site em risco de punição.
Vale a pena contratar cadastro do site em centenas de buscadores?
Não. É um serviço que não existe na prática: hoje os buscadores relevantes descobrem sites sozinhos, e o cadastro se faz gratuitamente no Google Search Console e no Bing Webmaster Tools, em minutos. Pagar por cadastro em centenas de diretórios não traz visitas nem melhora posições — e alguns desses diretórios são prejudiciais.
O que é o boleto falso de renovação de domínio?
É uma cobrança enviada por carta, e-mail ou mensagem, que imita a comunicação oficial de um registrador e avisa que o seu domínio vai expirar. Quem paga transfere dinheiro a um terceiro, e em alguns casos autoriza a transferência do domínio. Antes de pagar qualquer cobrança de domínio, confira no WHOIS a data real de expiração e quem é o seu registrador, e pague apenas no painel oficial dele.
Como verificar se uma empresa de sites é confiável?
Em cerca de dez minutos: confirme o CNPJ e o endereço; abra três sites do portfólio e veja se funcionam bem no celular; consulte o WHOIS desses sites para ver se são mesmo clientes reais; procure avaliações fora do site da própria empresa; e verifique se existe um contato humano acessível. Fornecedor sério passa nessas cinco checagens sem esforço.
O que precisa estar no contrato de criação de site?
Cinco pontos: escopo detalhado do que está e do que não está incluído; prazos por etapa com o que depende de você; forma de pagamento parcelada por entregas; titularidade explícita de domínio, hospedagem, código-fonte e acessos, todos no nome do contratante; e as condições de manutenção e suporte após a entrega, com prazo e escopo.
O que fazer se eu já caí em um golpe?
Reúna as provas (contrato, mensagens, comprovantes, propostas), registre boletim de ocorrência, procure os órgãos de defesa do consumidor e avalie ação judicial com orientação de um advogado. Em paralelo, recupere o que der: verifique no WHOIS quem é o titular do domínio e converse com o registrador sobre a transferência, e reconstrua o site com quem lhe entregue os acessos.