Por que a ordem certa é o custo de desfazer
A versão anterior deste artigo prometia "os erros mais comuns na hora de criar sites" e listava três — um deles nem chegava a ser formulado como erro, era o título "Boa escrita" solto no meio da lista. Também trazia um número de 2019 sobre uso de celular, sem fonte e hoje sem sentido, e chamava de "navegadores" as pessoas que visitam o site (navegador é o programa; quem lê é o visitante). Vale refazer a lista inteira — e organizá-la de um jeito que ajuda a decidir.
O critério mais útil não é a frequência do erro, é quanto custa desfazê-lo. Trocar a cor de um botão leva minutos. Reescrever a estrutura de endereços de um site que já ranqueia leva semanas. Recuperar um domínio registrado no nome de um ex-fornecedor pode simplesmente não acontecer. São três camadas diferentes, e a regra que atravessa todas é a mesma: quanto mais cedo a decisão acontece no projeto, mais caro é o erro depois.
Os 15 erros, quando aparecem e o custo de corrigir
| # | Erro | Quando acontece | Custo de desfazer |
|---|---|---|---|
| 1 | Domínio registrado em nome de terceiro | Antes do projeto | Pode não haver solução |
| 2 | Não ter os acessos do próprio site | Na contratação | Depende de terceiros |
| 3 | Trocar URLs sem redirecionamento 301 | Na publicação | Meses de histórico |
| 4 | Plataforma que prende o conteúdo | Na escolha da ferramenta | Refazer o site |
| 5 | Não definir de quem é o projeto no contrato | Na assinatura | Disputa jurídica |
| 6 | Conteúdo escrito depois do layout | No projeto | Semanas de retrabalho |
| 7 | Celular tratado como detalhe final | No projeto | Refazer o layout |
| 8 | Páginas sem relação com o que se busca | Na arquitetura | Reestruturar o site |
| 9 | Imagens e carregamento sem cuidado | Na produção | Semanas de ajuste |
| 10 | Medição instalada tarde demais | No lançamento | Dados perdidos para sempre |
| 11 | Nenhuma ação clara na página | No conteúdo | Horas |
| 12 | Contato escondido | No conteúdo | Horas |
| 13 | Texto que fala da empresa, não do cliente | No conteúdo | Dias |
| 14 | Erros de escrita e textos de exemplo esquecidos | Na revisão | Horas |
| 15 | Sem confirmação depois do envio | No lançamento | Horas |
Camada 1: os cinco erros quase irreversíveis
São decisões, não tarefas — e todas acontecem antes de a primeira tela ser desenhada. É por isso que quase nunca aparecem em listas de "erros de design".
- Domínio no nome de outra pessoa — o assunto da próxima seção, e o único erro desta lista que pode custar o endereço inteiro do negócio;
- Não ter os acessos — hospedagem, painel do site, DNS e medição em contas de terceiros. O site funciona até o dia em que a relação com o fornecedor termina;
- Trocar endereços sem redirecionar — refazer o site mudando as URLs sem aplicar 301 de cada endereço antigo para o novo equivalente zera o histórico das páginas nos buscadores e quebra todo link externo que apontava para elas;
- Escolher uma plataforma que prende o conteúdo — a pergunta a fazer antes de contratar é simples: se eu quiser sair daqui, levo os textos, as imagens e os endereços comigo? Quando a resposta é não, cada mês de uso aumenta o custo da saída;
- Não definir a propriedade no contrato — quem é dono do código, das artes e do conteúdo depois de pago. Sem isso escrito, a discussão acontece no pior momento possível, que é o da separação. Esse ponto e os demais cuidados de contratação estão detalhados em como não cair em golpes na criação do site.
O erro nº 1: o domínio que não é seu
O texto original acertava ao começar pelo domínio, mas parava na parte menos importante — a memorização do endereço. O risco real é outro: quem consta como titular no registro é quem controla o domínio, e não quem paga a conta ou usa o site todo dia. Registros feitos no CPF do fornecedor, do sobrinho que ajudou no começo ou do funcionário que já saiu da empresa criam uma dependência que só aparece quando é tarde.
A verificação leva dois minutos: consulte a titularidade do seu domínio na busca pública do Registro.br, no caso dos .com.br, e confira se o CNPJ que aparece é o da sua empresa. Se não for, resolva enquanto a relação com quem registrou ainda é boa — a transferência é simples com colaboração e complicada sem ela.
Vale ainda o alerta que o texto antigo fazia com razão: endereço dentro do domínio de uma plataforma gratuita é emprestado. Ele não vai embora com você, e todo o histórico construído fica para trás no dia da mudança. Um domínio próprio custa pouco por ano e é o único ativo digital que continua seu independentemente de quem faz ou hospeda o site.
Os seis acessos que você precisa ter
Um site só está entregue quando você consegue entrar sozinho em seis lugares. Peça todos por escrito, em contas de e-mail da própria empresa — nunca no e-mail pessoal de quem executou o projeto:
- Registro do domínio, com a sua empresa como titular;
- Painel da hospedagem, onde ficam os arquivos e a renovação do plano;
- Painel administrativo do site, com um usuário administrador seu;
- Gerenciamento de DNS, que aponta o domínio para a hospedagem e para o e-mail corporativo;
- Conta de analytics, com você como proprietário da propriedade, não como convidado;
- Search Console, que mostra como o site aparece na busca e avisa quando algo quebra.
Guardar essas credenciais em um cofre de senhas com duas pessoas da empresa com acesso resolve o problema seguinte, que é o de tudo estar na cabeça de uma pessoa só. A rotina de segurança e manutenção que vem depois está em como manter a segurança do site em dia.
Camada 2: os cinco erros caros de corrigir
Aqui o site funciona, ninguém perde nada de imediato, e o prejuízo se acumula em silêncio:
- Conteúdo escrito depois do layout — o erro que mais atrasa projetos, tratado logo abaixo;
- Celular tratado como detalhe final — a versão de celular é a que os buscadores usam como principal para indexar e avaliar o site, então o que quebra na tela pequena quebra na avaliação inteira. E não basta abrir: texto ilegível sem zoom, botões pequenos demais e conteúdo escondido contam como falha, como detalhado em site responsivo x site mobile;
- Páginas sem relação com o que as pessoas buscam — um site organizado pelo organograma da empresa, não pelas dúvidas de quem procura. Cada serviço relevante merece a sua própria página, com o nome que o cliente usa;
- Imagens e carregamento sem cuidado — fotos de vários megabytes subindo em tamanho original é o motivo mais comum de site lento, e cada segundo a mais custa visitantes que não esperam;
- Medição instalada tarde demais — este tem uma particularidade cruel: dado não coletado não se recupera. Instalar analytics e Search Console três meses depois significa três meses de decisões tomadas no escuro, para sempre.
Conteúdo depois do layout: o erro que atrasa tudo
É a inversão mais comum e a mais cara em tempo. O projeto começa pelas telas, o cliente aprova o visual e só então alguém pergunta quem vai escrever os textos. A partir daí, tudo trava: o layout já definiu quantas palavras cabem em cada caixa, e o conteúdo passa a ser espremido em um espaço que não foi feito para ele. O parágrafo que explicava o diferencial não cabe; o título que dizia algo é cortado; e a lacuna é preenchida com frases genéricas que ninguém lê.
A ordem correta é a inversa: definir as páginas, escrever o conteúdo de cada uma e só então desenhar as telas que apresentam esse conteúdo. Layout é forma, e forma precisa de algo a que se ajustar. É por isso que a regra "conteúdo antes do layout" aparece no mapa organizacional da criação de sites — e por isso que reunir as informações antes de começar, como descrito em informações necessárias antes de criar um site, encurta o projeto inteiro.
"Nenhum layout salva um texto que não diz nada — mas um texto pronto sempre encontra um layout."
"Boa escrita" não é sobre ortografia
O post original trazia esse item, e ele merece ser reformulado. Erro de português no site prejudica a confiança, sim, e é barato de corrigir — uma revisão resolve. Mas raramente é o problema do texto de um site de empresa. O problema real é outro: a página fala da empresa, não de quem está lendo.
Quem chega ao site de um fornecedor quer saber o que ele resolve, para quem, como funciona, quanto tempo leva e como falar com alguém. Uma home que dedica a primeira tela a dizer há quantos anos a empresa existe e quanto ela é comprometida com a qualidade não respondeu nenhuma dessas perguntas — e nenhuma revisão gramatical conserta isso. O teste é simples: leia cada parágrafo e pergunte e daí, para quem lê?. Se não houver resposta, o parágrafo sobra.
Junto disso vai um erro pequeno e constrangedor: texto de exemplo esquecido no ar — o "Lorem ipsum", a "Rua Exemplo, 123", o telefone do modelo. Acontece mais do que se imagina, e denuncia que ninguém releu o site depois de publicar.
Camada 3: os cinco que sangram todo dia
Baratos de corrigir, quase sempre não corrigidos — e é essa combinação que os torna caros no acumulado:
- Nenhuma ação clara na página — a pessoa leu, se convenceu e não sabe o que fazer em seguida. Toda página precisa de um próximo passo visível;
- Contato escondido — telefone só no rodapé, formulário em uma página distante, WhatsApp que não abre no toque do celular;
- Texto que fala da empresa, não do cliente — tratado na seção anterior;
- Erros de escrita e textos de exemplo — corrigíveis em uma tarde de revisão;
- Sem confirmação depois do envio — o visitante preenche o formulário e a tela não muda. Sem confirmação, ele não sabe se deu certo, muitas vezes envia de novo, e você perde a única chance de dizer em quanto tempo vai responder.
Checklist de 8 itens antes de publicar
- Formulários chegando a um e-mail que alguém realmente lê — teste enviando um de verdade;
- Telefone e WhatsApp clicáveis, abrindo no toque a partir do celular;
- Site aberto em um celular real, não apenas na janela reduzida do computador;
- Certificado de segurança ativo, com o site abrindo em
httpssem aviso do navegador; - Medição instalada e registrando antes do primeiro visitante;
- Com e sem www resolvendo para o mesmo endereço, sem duplicar o site;
- Página de erro 404 útil, com busca e caminho de volta;
- Nenhum texto de exemplo esquecido em qualquer página.
Os erros que só aparecem no mês seguinte
O site entra no ar, a equipe comemora e quatro perguntas ficam sem dono:
- Quem atualiza — sem responsável definido, o site congela no dia da entrega e envelhece em silêncio;
- Quem confere se os formulários continuam chegando — uma mudança de e-mail ou de servidor derruba o envio sem aviso, e a descoberta costuma vir por um cliente que reclama de não ter tido resposta;
- Quem olha os dados — a medição instalada e nunca aberta é a mesma coisa que medição nenhuma;
- Quem renova domínio e hospedagem — a falha mais evitável de todas, e a que tira o site do ar de uma hora para outra. Renovação automática ativa e o cartão de cobrança atualizado resolvem, junto com o cuidado na escolha de uma empresa de hospedagem.
5 erros de quem contrata, não de quem executa
- Aprovar o layout sem ler os textos — o visual agrada, o conteúdo passa despercebido e vai para o ar assim;
- Enviar o material em partes, ao longo de semanas — a causa número um de atraso em projeto de site;
- Decidir por "eu gostei" em vez de por objetivo — gosto pessoal é o critério mais caro em uma página que precisa converter;
- Trocar o escopo no meio — cada página nova acordada por mensagem, sem revisar prazo, adia a entrega inteira;
- Não saber quem faz o quê — designer, desenvolvedor, redator e responsável por SEO fazem coisas diferentes, como explicado em quem cria sites, afinal. Orçamentos que parecem baratos costumam ser os que deixaram alguém de fora.
Perguntas frequentes
Qual é o erro mais grave na hora de criar um site?
Registrar o domínio no nome de outra pessoa — do fornecedor, do sobrinho que ajudou, do funcionário que saiu. É o único erro que pode custar o endereço inteiro do negócio, porque quem consta como titular no registro é quem controla o domínio. Todos os outros erros se corrigem com trabalho; esse depende da boa vontade de um terceiro.
Quais acessos eu preciso ter antes de aprovar um site?
Seis: o registro do domínio em nome da sua empresa, o painel da hospedagem, o painel administrativo do site, os DNS, a conta de analytics e o Search Console. Tudo em contas de e-mail corporativo da empresa, nunca no e-mail pessoal de quem executou o projeto. Se você não consegue entrar sozinho em cada um deles, o site não está entregue.
Posso mudar os endereços das páginas depois que o site está no ar?
Pode, mas nunca sem redirecionamento 301 de cada endereço antigo para o novo equivalente. URL trocada sem redirecionamento zera o histórico daquela página nos buscadores e quebra todos os links que apontam para ela em outros sites, materiais e mensagens. Por isso a estrutura de endereços é decisão de projeto, não detalhe de última hora.
Por que o conteúdo deve vir antes do layout?
Porque layout é forma, e forma precisa de algo a que se ajustar. Quando o texto chega depois, ele é espremido em caixas que já existem: o parágrafo essencial não cabe, o título é cortado e alguém preenche o resto com frases genéricas. O projeto atrasa e a página fica pior — inversão que responde pela maior parte dos atrasos em criação de sites.
Erro de português no site prejudica de verdade?
Prejudica a confiança, e é barato de corrigir — mas raramente é o erro principal. O problema mais comum de texto em site de empresa não é ortográfico: é falar de si mesmo. Páginas que só dizem há quantos anos a empresa existe e quanto ela é comprometida não respondem o que o visitante veio saber, e nenhuma revisão gramatical conserta isso.
Preciso mesmo de domínio próprio?
Sim. Endereço dentro do domínio de uma plataforma gratuita é emprestado: você não o leva embora se trocar de fornecedor, e todo o histórico construído fica para trás. Um domínio próprio custa pouco por ano, é registrado em minutos e é o único ativo digital que continua seu independentemente de quem faz ou hospeda o site.
O que checar antes de colocar o site no ar?
Oito itens: formulários enviando para um e-mail que alguém lê, telefone e WhatsApp funcionando no toque, o site abrindo em celular real, certificado de segurança ativo, medição instalada, versão sem www e com www resolvendo para o mesmo endereço, página de erro 404 útil e nenhum texto de exemplo esquecido nas páginas.
Quais erros só aparecem depois que o site está no ar?
Os quatro clássicos: ninguém definiu quem atualiza o site, ninguém verificou se os formulários continuam chegando, ninguém acompanha o que as pessoas procuram e encontram, e ninguém renovou domínio ou hospedagem — falha que tira o site do ar de uma hora para outra e é 100% evitável com renovação automática.
Site que não funciona bem no celular ainda é problema?
É o problema, não um problema. Os buscadores passaram a usar a versão de celular como versão principal para indexar e avaliar o site, então o que quebra na tela pequena quebra na avaliação inteira. E não basta o site abrir no celular: texto ilegível sem zoom, botões pequenos demais e conteúdo escondido contam como falha.