O problema da versão anterior deste texto
A versão anterior deste artigo listava requisitos razoáveis — objetivos, plataforma, design responsivo, conteúdo, SEO, segurança, análise — e citava, entre parênteses, oito instituições respeitadas ao lado de cada afirmação. Nenhuma dessas citações tinha link, dado ou afirmação verificável: eram apenas nomes colados no fim das frases. Isso não é fonte, é aparência de fonte, e neste texto foram todas removidas — o que ficou está sustentado por raciocínio explícito ou por referência oficial que você pode conferir.
O mesmo texto trazia dois resíduos difíceis de explicar: a frase de que "os melhores profissionais da área da saúde" ajudariam a elaborar o site — sobra evidente de outro modelo de texto — e o anúncio de uma "parceria com uma empresa de criação de sites", incoerente vindo de uma agência que faz sites. Havia ainda o erro de dizer que atualizar um site "iria demorar o mesmo tempo de criação que ele teve", o que não é verdade: reformas parciais são justamente o oposto de refazer do zero.
O que faz um site ser corporativo
Aqui está a definição que organiza todo o resto — e ela não tem a ver com o tamanho da empresa nem com um visual sóbrio. Um site corporativo é aquele que precisa atender vários públicos ao mesmo tempo.
Um site de serviço fala com um cliente em potencial e o conduz até o contato. Um site corporativo recebe, na mesma navegação, quem quer comprar, quem quer trabalhar ali, quem quer vender para a empresa, quem quer entrevistá-la e quem já é cliente e precisa de suporte. Empresa de dez pessoas pode precisar de um site corporativo; empresa grande pode ter um site que não é. O que define é a quantidade de perguntas diferentes que chegam pela mesma porta.
Os 5 públicos e o que cada um procura
| Público | O que ele quer saber | Onde encontra | Se não encontrar |
|---|---|---|---|
| Cliente em potencial | O que você resolve e se dá para confiar | Serviços e casos | Vai ao concorrente |
| Candidato | Como é trabalhar aí | Trabalhe conosco | Não se candidata |
| Fornecedor e parceiro | Porte, área de atuação e com quem falar | Sobre a empresa e contato | Liga na recepção |
| Imprensa | Dados da empresa e um porta-voz | Imprensa ou conteúdo | Publica sem você |
| Cliente atual | Suporte, segunda via, canal de atendimento | Área do cliente | Sobrecarrega o comercial |
A coluna da direita é a que costuma faltar no planejamento. Nenhum desses públicos avisa que não encontrou o que procurava — cada um simplesmente sai, e a empresa nunca fica sabendo.
A base que ele divide com qualquer site
Antes dos requisitos específicos, valem os universais: velocidade, funcionamento no celular, estrutura de páginas por intenção de busca, conteúdo útil, segurança, acessibilidade e medição instalada. Eles não são menos importantes por serem comuns — são pré-condição. Como avaliar cada um está detalhado em diferenciais que fazem o seu site melhor, e o material que você precisa reunir antes de começar está em informações necessárias antes de criar um site.
O que segue são os requisitos que se somam a essa base quando o site é corporativo.
Os 6 requisitos que só um site corporativo tem
- Navegação que separa os públicos — caminhos claros para cliente, candidato e parceiro logo na primeira tela, sem obrigar ninguém a adivinhar por onde entrar;
- Dados institucionais completos e verificáveis — razão social, CNPJ e endereço, o que sustenta a confiança de quem vai contratar;
- Conformidade com a LGPD — política de privacidade e canal do titular, obrigatórios a partir do momento em que existe um formulário;
- Governança de publicação — quem escreve, quem aprova e quem publica, definido por escrito;
- Página de vagas de verdade — não um endereço de e-mail solto pedindo currículo;
- Estrutura preparada para crescer — unidades, marcas ou idiomas adicionais sem refazer o site.
As 8 páginas mínimas
| Página | Pergunta que ela responde |
|---|---|
| Home | O que esta empresa faz e para quem |
| Sobre a empresa | Quem são, desde quando, qual o porte |
| Uma página por serviço | Você resolve exatamente o meu problema? |
| Clientes ou casos | Já fizeram isso para alguém como eu? |
| Trabalhe conosco | Como é trabalhar aqui e o que está aberto |
| Contato | Como falo com a pessoa certa, e onde vocês ficam |
| Política de privacidade | O que fazem com os meus dados |
| Conteúdo ou notícias | Esta empresa entende do assunto? |
Uma observação sobre a página de serviços: uma única página listando tudo o que a empresa faz atende mal a todos os serviços. Cada linha relevante merece a própria página, com o nome que o cliente usa — e não o nome interno do departamento.
Dados obrigatórios e LGPD
Esta é a parte que o texto original tratava como recomendação genérica de "segurança" e que, na verdade, tem base legal. Comece pelo básico: razão social, CNPJ e endereço completo visíveis, normalmente no rodapé. É o que permite a qualquer pessoa verificar com quem está tratando — e a ausência desses dados é um dos sinais que fazem visitantes desconfiarem de um site.
Em seguida, a proteção de dados. A partir do momento em que existe um formulário — e um simples "fale conosco" já é um —, a empresa passa a tratar dados pessoais e se enquadra na Lei Geral de Proteção de Dados. Na prática do site, isso significa três coisas: política de privacidade dizendo o que é coletado e para quê, um canal para o titular exercer seus direitos e coleta limitada ao necessário. Pedir data de nascimento em um formulário de contato é coletar sem finalidade — e cada campo desnecessário é, ao mesmo tempo, um risco a mais e uma conversão a menos.
Governança: quem aprova o quê
Este requisito não aparece em nenhuma lista técnica e derruba mais projetos corporativos do que qualquer questão de código. Sem definir quem aprova o quê, o site trava — ou, no extremo oposto, qualquer pessoa altera qualquer coisa e a comunicação da empresa perde consistência.
O arranjo que funciona tem três níveis: quem produz o conteúdo, quem aprova o que é institucional e quem tem acesso técnico para publicar. Some a isso um responsável nomeado por área — comercial, RH, jurídico — e um prazo de resposta acordado para aprovações. É o que impede que uma página fique dois meses parada esperando o retorno de alguém que nem sabia que precisava responder. O encadeamento completo das fases está em o mapa organizacional da criação de sites.
"Site corporativo não atrasa por causa de código. Atrasa porque ninguém decidiu quem escreve e quem aprova."
Trabalhe conosco: a página subestimada
Quase todo candidato pesquisa a empresa antes de se candidatar — e muitos clientes e fornecedores também passam por ali para avaliar porte e cultura. Ainda assim, é comum encontrar uma página com uma frase e um endereço de e-mail.
Uma página que funciona traz as vagas abertas com descrição real, como é o processo seletivo e quanto tempo leva, o que a empresa oferece e imagens verdadeiras do ambiente — não banco de imagens. O ganho é duplo: atrai gente mais alinhada e reduz o volume de candidaturas fora de perfil, porque quem não se identifica se autoexclui antes de enviar.
Multiunidade, multimarca e outro idioma
- Várias unidades — cada uma merece a própria página, com endereço, telefone e horário próprios: é o que faz a empresa aparecer nas buscas de cada cidade em vez de concentrar tudo na matriz;
- Várias marcas — decidir cedo se será um site com seções ou sites separados, porque mudar isso depois significa refazer a estrutura de endereços;
- Outro idioma — só faz sentido com conteúdo realmente traduzido e mantido. Tradução automática publicada como se fosse versão oficial passa a impressão contrária à pretendida.
Escolher a plataforma: 5 critérios
- Quem edita no dia a dia consegue editar? Se cada troca de texto vira chamado, a plataforma é errada;
- Dá para ter usuários com permissões diferentes? RH publica vaga sem poder mexer na home;
- O conteúdo pode ser exportado? Se não, você está preso à ferramenta;
- Suporta as integrações que a empresa usa? CRM, e-mail marketing, atendimento;
- Dá para trocar de fornecedor sem refazer tudo? A pergunta mais importante e a menos feita.
Note o que não está na lista: qual ferramenta é mais popular. Popularidade não é critério — capacidade de sair é.
Como medir um site corporativo
Medir só por leads deixa quatro dos cinco públicos de fora. Vale acompanhar, no mínimo:
- Buscas pelo nome da empresa — indicam reconhecimento crescendo;
- Visitas às páginas de serviço — mostram qual linha desperta interesse;
- Candidaturas pela página de vagas — o retorno da parte de RH;
- Proporção de tráfego vindo de busca sem anúncio — mede independência de verba;
- Contatos qualificados por mês — não o total de mensagens, mas as que viraram conversa.
5 erros em sites corporativos
- Falar da empresa e não do cliente — a primeira tela dedicada à história do negócio em vez do que ele resolve;
- Uma página só para todos os serviços — atende mal a cada um e não ranqueia para nenhum;
- Contato genérico — um único e-mail para vendas, RH, imprensa e suporte, que todos ignoram;
- Casos sem permissão ou sem números — cliente citado sem autorização é problema; caso sem resultado é enfeite;
- Publicar e abandonar — sem governança e sem responsável, o site corporativo envelhece mais rápido que qualquer outro, pelo mesmo motivo dos erros na hora de criar sites.
Perguntas frequentes
O que faz um site ser corporativo?
Não é o tamanho da empresa nem o visual sóbrio: é o número de públicos que ele precisa atender ao mesmo tempo. Um site de serviço fala com um cliente em potencial; um site corporativo fala com cliente, candidato, fornecedor, imprensa e parceiro na mesma navegação — e cada um chega procurando uma coisa diferente. Empresa de dez pessoas pode ter site corporativo, e empresa grande pode ter site que não é.
Quais páginas um site corporativo precisa ter?
O mínimo são oito: home, sobre a empresa, uma página por serviço ou linha de produto, clientes ou casos, trabalhe conosco, contato com dados completos, política de privacidade e uma página de conteúdo ou notícias. Faltando qualquer uma, algum dos públicos fica sem resposta e sai para procurar em outro lugar.
Quais dados a empresa é obrigada a mostrar no site?
Razão social, CNPJ e endereço completo devem estar visíveis, normalmente no rodapé — é o que permite a qualquer pessoa verificar com quem está tratando. Sites que coletam dados pessoais, o que inclui qualquer formulário de contato, precisam ainda de política de privacidade e de um canal para o titular exercer seus direitos, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados.
O que é governança de site corporativo?
É definir, por escrito, quem aprova o quê e quem publica. Sem isso, ou tudo trava esperando aprovação de todo mundo, ou qualquer pessoa altera qualquer coisa. O arranjo que funciona costuma ter três níveis: quem escreve, quem aprova conteúdo institucional e quem tem acesso técnico — com um responsável nomeado por área.
A página Trabalhe Conosco é mesmo importante?
É a página mais subestimada de um site corporativo. Quase todo candidato pesquisa a empresa antes de se candidatar, e muitos fornecedores e clientes também olham ali para avaliar porte e cultura. Uma página que apenas pede currículo desperdiça a visita; uma que mostra como é trabalhar na empresa, o processo seletivo e as vagas abertas atrai gente melhor.
Como escolher a plataforma de um site corporativo?
Por cinco critérios: quem edita o conteúdo no dia a dia, se dá para ter usuários com permissões diferentes, se o conteúdo pode ser exportado, se ela suporta as integrações que a empresa usa e se você consegue trocar de fornecedor sem refazer tudo. Popularidade da ferramenta é o critério menos importante da lista.
Como medir se um site corporativo está funcionando?
Não só por leads. Vale acompanhar quantas pessoas chegam buscando o nome da empresa, quantas visitam as páginas de serviço, quantas candidaturas chegam pela página de vagas, quanto do tráfego vem de busca sem anúncio e quantos contatos qualificados o site gera por mês. Cada público tem um sinal próprio de que foi atendido.
Site corporativo precisa de blog?
Precisa de uma área de conteúdo — que pode ser blog, notícias ou materiais. Sem ela, o site fica limitado às poucas buscas pelo nome da empresa e pelos serviços, e não aparece para quem ainda está pesquisando o problema. A escolha do formato importa menos do que a existência de um lugar onde publicar sem depender de refazer páginas.
Quanto tempo leva para criar um site corporativo?
O prazo depende menos da parte técnica e mais de duas coisas: quando o conteúdo fica pronto e quantas pessoas precisam aprovar. Projetos que definem antes o texto de cada página e nomeiam um aprovador por área terminam em semanas; projetos que começam pelo layout e aprovam em comitê se arrastam por meses.