O texto anterior se contradizia
A versão de 2019 defendia, na primeira metade, que as pessoas querem "informações rápidas, precisas e diretas" e que "muitas informações desnecessárias" fazem o leitor sair. Na segunda metade, apresentava uma faixa de "conteúdo estendido: de 500 a 2000 palavras". As duas partes se opõem, e o texto não reconcilia nenhuma delas.
As faixas propostas — até 300, de 300 a 500, de 500 a 2000 — vinham sem qualquer justificativa, atribuídas a categorias como "pessoas que trabalham com marketing através de artigos difundidos", frase que não descreve ninguém. Havia ainda "a cima", "buscam a internet" sem preposição e um fecho que era anúncio.
E havia duas afirmações técnicas erradas. Vale começar por elas, porque são a origem da maioria das decisões ruins sobre tamanho de texto.
Correção: texto não deixa a página lenta
O texto anterior dizia que "com muitas informações desnecessárias, além do carregamento da página tornar-se mais lento", as pessoas saem. A primeira parte não procede.
Texto é o conteúdo mais leve que existe em uma página. Mesmo um artigo de vários milhares de palavras representa uma fração mínima do peso total — quase nada perto de uma única fotografia enviada sem tratamento.
O que torna uma página lenta são as imagens e os scripts de terceiros, como está detalhado em curiosidades sobre criação de sites. Cortar texto para "deixar a página mais rápida" é otimizar o item errado: perde-se informação e não se ganha velocidade nenhuma.
Correção: número de palavras não ranqueia
Esta é a crença que mais estraga textos: a de que existe uma contagem mínima para aparecer bem nas buscas, e que textos mais longos ranqueiam melhor.
Contagem de palavras não é fator de classificação. A impressão contrária vem de uma inversão de causa e efeito muito compreensível: quando alguém observa que as páginas mais bem posicionadas costumam ser longas, conclui que o comprimento produziu a posição. É o contrário — assuntos complexos e disputados exigem respostas completas, e respostas completas são naturalmente longas.
A consequência prática é direta: um texto longo e vazio perde para um texto curto que responde bem. E perseguir uma meta de palavras produz exatamente o texto longo e vazio, porque a única forma de bater a meta quando o assunto acabou é repetir, contextualizar demais e definir o que ninguém perguntou.
O tamanho é descoberto, não escolhido
Trocadas as premissas, aparece a formulação útil: você não decide o tamanho antes de escrever — você o descobre ao mapear o que precisa ser respondido.
Ninguém decide "vou escrever mil e quinhentas palavras". O que acontece é: a pergunta gera oito sub-perguntas, três delas exigem exemplo, duas têm exceções que precisam ser ditas — e o texto que cobre tudo isso tem mil e quinhentas palavras. O número é resultado, não meta.
Isso muda a pergunta que abre o trabalho. Em vez de "quantas palavras este post precisa ter?", a pergunta é "o que precisa estar respondido para que ninguém saia daqui com dúvida?". A primeira leva a encher ou a cortar; a segunda leva ao tamanho certo por consequência.
O método em 4 passos
Na prática, quatro passos descobrem o tamanho antes de a primeira frase ser escrita:
- Liste as dúvidas que a pergunta gera. Escreva a pergunta do título e, embaixo, tudo o que alguém perguntaria em seguida. Uma pergunta como "quanto custa um site" gera facilmente dez; "qual a diferença entre X e Y" costuma gerar três.
- Veja o que já está coberto — e o que falta. Pesquise o termo e olhe as páginas que respondem. Não para copiar: para descobrir quais sub-perguntas todas cobrem (essas são obrigatórias) e quais nenhuma cobre (essas são a sua vantagem).
- Escreva cobrindo tudo, uma seção por sub-pergunta. Nessa fase não se preocupe com tamanho: preocupe-se em não deixar buraco.
- Corte dez por cento. Sem escolher antes o que cortar — a restrição é o que obriga a encontrar o que sobrava. É a operação que separa texto completo de texto inchado.
O número que sobrar ao fim desses quatro passos é o tamanho ideal daquele texto. Ele será diferente no próximo, e tudo bem.
O teste do término
Falta um critério para saber que acabou, e ele cabe em uma pergunta: qual seria a próxima dúvida de quem acabou de ler?
Três respostas possíveis, com três encaminhamentos:
- Ela já foi respondida no texto. O texto está completo. Pode publicar.
- Ela ainda não foi respondida e pertence ao mesmo assunto. Falta escrever. É a lacuna que faz o leitor sair procurando em outro lugar.
- Ela pertence a outro assunto. O texto acabou — e você acabou de descobrir a pauta do próximo, com o link entre os dois já justificado.
Esse teste é mais confiável que qualquer contagem, porque mede o que de fato importa: se a pessoa foi atendida.
Tamanho por tipo de busca
Há um padrão que ajuda a calibrar a expectativa antes mesmo do primeiro passo — o tamanho acompanha o tipo de pergunta:
- Busca por um dado. "Que horas abre", "qual o prazo", "qual a diferença entre dois termos". A resposta cabe em poucas linhas, e alongá-la irrita quem só queria o dado.
- Busca por um procedimento. "Como fazer X". O tamanho é o número de passos vezes o detalhe que cada um exige — e o texto acaba quando o último passo foi descrito.
- Busca por uma decisão. "Vale a pena", "qual escolher", "quanto custa". São as mais longas, porque envolvem critérios, exceções, casos em que a resposta muda e o que fazer quando ela não se aplica.
- Busca por entendimento. "O que é", "por que acontece". Tamanho médio: exige definição, mecanismo e um exemplo, e raramente mais que isso.
Errar o tipo é o erro mais caro: responder com dois mil e quinhentas palavras quem queria um número, ou com cinco linhas quem precisava decidir.
Os dois modos de falhar
Texto curto demais e texto longo demais falham de formas diferentes, e reconhecer qual é qual aponta a correção.
O texto curto falha por incompletude. A pessoa lê, entende a ideia geral e sai com a pergunta prática sem resposta — o "mas e no meu caso?". Ela vai procurar em outro lugar, e o texto não cumpriu função nenhuma além de ocupar espaço.
O texto longo falha por diluição. A informação está lá, mas cercada de contexto que ninguém pediu, definições óbvias e repetição. A pessoa desiste no meio — e o efeito é o mesmo do texto curto, com o agravante de ter custado mais para produzir.
Note que o problema nunca é o número em si: é a relação entre o que foi escrito e o que precisava ser respondido.
Quando o assunto é curto de verdade
Existem perguntas cuja resposta honesta tem duzentas palavras. Nesses casos, há duas saídas — e uma delas é ruim.
A saída ruim é inflar: acrescentar história do setor, definições que ninguém pediu, três parágrafos de introdução e uma conclusão que repete tudo. O texto atinge a meta e responde pior do que antes.
A saída boa é publicar curto — ou juntar. Se a dúvida é pequena mas real, uma resposta direta serve bem, e várias dúvidas pequenas do mesmo tema podem virar um texto único que responde todas, o que costuma ser mais útil do que quatro textos raquíticos.
Publicar curto tem, inclusive, uma vantagem: quem procurava exatamente aquilo encontra a resposta sem rolagem — e é isso que faz alguém voltar.
Quando há dois textos ali dentro
O caso oposto é mais comum do que parece. Quando um texto passa das duas mil palavras e continua crescendo, vale checar se ele não virou dois.
O sinal é claro: o texto responde a duas perguntas diferentes, e alguém interessado na segunda precisa atravessar a primeira inteira para chegar lá. É o caso de um artigo que explica o que é algo e, na metade, vira um passo a passo de como fazer.
Dividir rende mais por dois motivos. Cada parte fica completa em vez de resumida, e passam a existir duas páginas encontráveis em vez de uma tentando cobrir tudo — cada uma respondendo à busca específica que lhe corresponde, com um link entre elas.
O critério para dividir não é o tamanho: é a existência de duas perguntas distintas. Um texto de três mil palavras que responde a uma pergunta só continua sendo um texto.
Densidade: informação por parágrafo
Se contagem de palavras não é a medida certa, o que é? A resposta prática é densidade: quanta informação nova cada parágrafo entrega.
Um teste rápido revela isso: leia um parágrafo e pergunte o que eu sei agora que não sabia antes de lê-lo? Se a resposta for "nada", ele é enchimento — mesmo bem escrito, mesmo com bom ritmo.
Os enchimentos mais frequentes têm nome:
- A introdução sobre o mundo — "vivemos em um mundo cada vez mais digital".
- A definição que ninguém pediu, de um termo que o próprio leitor usou para chegar ali.
- O anúncio do que virá: "a seguir, vamos explicar". Explique.
- A conclusão que repete o que já foi dito, em vez de apontar o próximo passo.
Cortar esses quatro costuma reduzir um texto em quinze por cento sem tirar uma única informação — e o que sobra fica mais fácil de ler.
O outro tamanho: parágrafo, frase e seção
"Tamanho" costuma ser discutido só em número de palavras do texto inteiro, quando a dimensão que o leitor percebe é outra: o tamanho dos blocos.
Um artigo de duas mil palavras com subtítulos a cada bloco e parágrafos curtos parece rápido. O mesmo texto em cinco parágrafos gigantes parece interminável — e a diferença de percepção é maior do que qualquer corte de palavras produziria.
As medidas que funcionam: uma ideia por parágrafo, o que dá de duas a cinco linhas na tela; frases com no máximo duas vírgulas, porque a maior parte da leitura acontece no celular; e um subtítulo a cada bloco de assunto, para que a página possa ser percorrida. O detalhamento está em como escrever bem para um blog.
Como saber se passou do ponto
Quatro sinais indicam que um texto ficou maior do que precisava:
- Você repetiu a mesma informação em duas seções — sinal de que uma delas não precisava existir.
- Alguma seção não responde a nenhuma dúvida real, e foi escrita porque "ficaria estranho não falar disso".
- O corte de dez por cento foi fácil. Se sobrou muito para tirar sem dor, provavelmente cabe tirar mais.
- Você precisou de uma segunda introdução no meio do texto para retomar o assunto — indício de que ali começa outro artigo.
E vale a nota final sobre textos antigos: aumentar por aumentar não melhora nada. O que rende é acrescentar o que faltava — uma dúvida recorrente sem resposta, um caso que ficou de fora, uma informação que mudou. Isso é atualizar, e costuma valer mais que um texto novo, porque melhora uma página que já é encontrada. O raciocínio completo está em conteúdo sempre atualizado.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho ideal de um post de blog?
Aquele em que a pergunta do título foi respondida por inteiro, incluindo as dúvidas que a própria resposta levanta. O tamanho não é escolhido antes de escrever: é descoberto ao listar tudo o que precisa ser respondido. Se o assunto se resolve em quatrocentas palavras, o texto tem quatrocentas; se exige duas mil, forçar a redução deixa a resposta incompleta.
Textos longos ranqueiam melhor?
A contagem de palavras não é fator de classificação, e a impressão contrária vem de uma inversão de causa e efeito: assuntos complexos e disputados exigem respostas completas, que por natureza são longas — não é o comprimento que produz a posição, é a completude. Texto longo e vazio perde para texto curto que responde bem.
Post curto é ruim?
Não, quando o assunto é curto. Uma dúvida objetiva — um prazo, uma diferença entre dois termos, um procedimento simples — é melhor atendida por uma resposta direta do que por mil palavras de rodeio. O problema não é ser curto: é ser incompleto, deixando o leitor com a pergunta seguinte sem resposta.
Como saber quando o texto acabou?
Pelo teste do término: pergunte qual seria a próxima dúvida de quem acabou de ler. Se ela já foi respondida no texto, ele está completo. Se ainda não e pertence ao mesmo assunto, falta escrever. Se ela pertence a outro assunto, o texto acabou — e ali está a pauta do próximo.
Texto longo deixa a página lenta?
Não. Texto é o conteúdo mais leve de uma página: mesmo alguns milhares de palavras representam uma fração mínima do peso total. O que torna a página lenta são as imagens e os scripts de terceiros. Reduzir texto para ganhar velocidade é otimizar o item errado e perder informação por nada.
Existe um número mínimo de palavras?
Não existe mínimo obrigatório, e perseguir uma meta costuma piorar o texto: enche-se de repetição, contexto desnecessário e definições que ninguém pediu para bater a contagem. O critério que substitui a meta é a cobertura — quantas das dúvidas reais sobre o assunto o texto responde.
O que fazer quando o texto fica grande demais?
Verificar se não há dois textos ali dentro. Quando um artigo passa a tratar de duas perguntas diferentes, dividi-lo costuma render mais: cada parte fica mais completa e passam a existir duas páginas encontráveis em vez de uma que tenta cobrir tudo. Se o assunto é mesmo um só, corte o que não responde nada.
Vale aumentar um texto antigo para melhorar a posição?
Aumentar por aumentar, não. Vale acrescentar o que faltava: uma dúvida que aparece sempre e o texto não responde, um caso que ficou de fora, uma informação que mudou. Isso é atualizar, e costuma render mais que publicar um texto novo — porque melhora uma página que já é encontrada.
Qual o tamanho ideal de parágrafo?
Uma ideia por parágrafo, o que na prática dá de duas a cinco linhas na tela. Acima de seis linhas, quase sempre há duas ideias que podem virar dois parágrafos. Vale o mesmo para a frase: mais de duas vírgulas costuma indicar que ela precisa ser quebrada, sobretudo porque a maior parte da leitura acontece no celular.