O que é o WHOIS
WHOIS é o serviço de consulta pública aos dados de registro de um domínio. O nome vem da pergunta em inglês who is — "quem é". Ao consultar, você descobre quem é o titular do domínio, qual empresa fez o registro, quando ele foi criado, quando expira, para quais servidores de DNS aponta e qual o status atual. A consulta é gratuita, não exige cadastro e qualquer pessoa pode fazer.
A versão antiga deste post enquadrava o WHOIS quase só como ferramenta contra golpes. É um uso legítimo, mas o mais valioso no dia a dia de uma empresa é outro, e aparece mais adiante: descobrir se o domínio do seu negócio está mesmo no seu nome.
WHOIS × DNS × RDAP
| WHOIS | DNS | RDAP | |
|---|---|---|---|
| O que é | Consulta cadastral do domínio | Sistema que traduz nome em endereço | Sucessor técnico do WHOIS |
| Responde | De quem é o domínio e até quando | Para onde o domínio aponta | O mesmo do WHOIS, em formato moderno |
| Quando é usado | Quando alguém consulta | A cada acesso ao site | Quando alguém consulta |
| Formato | Texto livre | Registros técnicos | Dados estruturados, com níveis de acesso |
A confusão entre os dois primeiros é comum porque a consulta WHOIS exibe os servidores de DNS entre os campos. Mas são coisas distintas: o DNS funciona a cada visita ao site; o WHOIS é um registro cadastral, consultado só quando alguém quer saber. Onde cada um entra no funcionamento de um site está em as 5 camadas do desenvolvimento web.
O que a consulta mostra
- Titular — a pessoa ou empresa em cujo nome o domínio está registrado;
- Registrador — a empresa por meio da qual o registro foi feito;
- Data de criação — quando o domínio foi registrado pela primeira vez, o que revela a idade dele;
- Data de expiração — até quando ele está pago. O campo mais importante da lista;
- Servidores de DNS — para onde o domínio aponta, o que indica onde o site está hospedado;
- Status — ativo, aguardando pagamento, em processo de liberação, entre outros.
O que mudou com a LGPD e o GDPR
Esta é a atualização mais importante desde que o post original foi escrito, em 2019. Com o GDPR europeu e a LGPD brasileira, nome de pessoa física, e-mail, telefone e endereço passaram a ser tratados como dados pessoais — e, na maior parte dos domínios, aparecem ocultos ou substituídos por um canal de contato intermediário. O texto antigo listava CPF, nome do dono, endereço postal e telefone como informações obtidas na consulta; hoje isso não descreve mais a realidade da maioria dos casos.
O que continua público, e é o que interessa na prática: datas de criação e expiração, registrador, servidores de DNS e status — além da identificação do titular quando ele é pessoa jurídica, situação em que a razão social e o CNPJ costumam permanecer visíveis nos domínios brasileiros.
Os 5 usos práticos para quem tem empresa
- Verificar se um domínio está livre — e, se estiver ocupado, ver quando expira, o que indica se pode ficar disponível;
- Conferir o vencimento do seu próprio domínio — perder o registro por esquecimento é uma das formas mais banais de um negócio sumir da internet;
- Descobrir a quem pertence um domínio que você quer comprar, e por qual caminho fazer contato;
- Avaliar a procedência de um site — um domínio criado há três semanas em uma loja com preços improváveis diz muito;
- Confirmar a titularidade do domínio da sua empresa — o uso mais importante, e o mais ignorado.
Como consultar, no Brasil e fora
Para domínios .br — incluindo .com.br —, a consulta é feita no site do Registro.br, a entidade responsável pelos domínios brasileiros: basta digitar o domínio na busca. Para domínios internacionais, como .com, .net e .org, consulta-se o serviço de WHOIS ou RDAP do registrador ou do registro correspondente. Em ambos os casos a consulta é gratuita e leva segundos. Desconfie de sites que cobram por "consulta WHOIS": a informação é pública.
A verificação de 2 minutos no seu domínio
Consulte o WHOIS do domínio da sua empresa e olhe o campo de titular. Três cenários:
- Aparece o CNPJ ou o nome da sua empresa — correto. Confira também a data de expiração e anote no calendário;
- Aparece o nome da agência, do desenvolvedor ou de um ex-funcionário — o domínio não é juridicamente seu. Isso significa que trocar de fornecedor, mudar a hospedagem ou até manter o site no ar depende da colaboração de quem está no registro;
- Aparece um nome que você não reconhece — investigue imediatamente, com o registrador.
É uma verificação de dois minutos que evita um problema de meses. E é a mesma lógica de autonomia que vale para o que combinar antes de contratar quem vai fazer o site: domínio, hospedagem e acessos no nome de quem é dono do negócio.
"Todo mundo confere o contrato do aluguel da loja física. Quase ninguém confere em nome de quem está o endereço da loja virtual."
Como o WHOIS ajuda a avaliar um site suspeito
Era o foco do post original, e continua válido — com o ajuste de que os dados pessoais já não aparecem. O que ainda dá para observar: a data de criação (domínio registrado há poucas semanas, em loja que anuncia preços muito abaixo do mercado, é um sinal forte); o prazo de registro (golpes costumam registrar pelo período mínimo); a ausência de titular pessoa jurídica em um site que se apresenta como grande empresa; e a incompatibilidade entre o titular e a marca exibida no site. Nenhum desses itens prova nada sozinho — mas somados a preço improvável e ausência de CNPJ na página, formam um quadro. A proteção do seu próprio site é outro assunto, tratado em por que ter um firewall no site.
Vale a pena ocultar seus dados?
Para pessoa física, costuma valer: reduz spam, tentativas de golpe e contatos indesejados por parte de quem varre bases de domínios. Para empresa, a decisão é mais equilibrada — dados públicos de titularidade transmitem transparência a clientes e parceiros, e no caso de domínios brasileiros de pessoa jurídica a identificação já faz parte do modelo. Em qualquer situação, vale registrar: ocultar dados de contato não altera a titularidade. O domínio continua sendo de quem está no registro — e é justamente isso que precisa estar certo.
5 problemas de domínio que o WHOIS revela
- Domínio no nome do fornecedor — descoberto tarde, vira negociação em vez de transferência;
- Vencimento próximo sem ninguém responsável — o e-mail de aviso vai para uma caixa que ninguém lê há anos;
- E-mail de contato desativado no registro — o que pode impedir recuperar o acesso quando for preciso;
- DNS apontando para uma hospedagem antiga — sinal de migração feita pela metade;
- Registro feito com dados de um ex-sócio ou ex-funcionário — o problema que só aparece no pior momento possível.
Perguntas frequentes
O que é o protocolo WHOIS?
É o serviço de consulta pública aos dados de registro de um domínio: quem é o titular, qual empresa fez o registro, quando o domínio foi criado, quando expira, quais são os servidores de DNS e qual o status atual. O nome vem da pergunta em inglês who is — quem é. Qualquer pessoa pode consultar, de graça, sem cadastro.
Para que serve o WHOIS na prática?
Para cinco coisas úteis: verificar se um domínio está livre e, se não estiver, quando ele expira; conferir a data de vencimento do seu próprio domínio para não perdê-lo; descobrir a quem pertence um domínio que você quer comprar; avaliar a idade e a procedência de um site suspeito; e — o mais importante para empresas — confirmar se o seu domínio está registrado no seu nome, e não no do fornecedor.
WHOIS e DNS são a mesma coisa?
Não. O DNS é o sistema que traduz o nome do domínio para o endereço do servidor, e funciona a cada acesso ao site. O WHOIS é um registro cadastral: diz quem registrou o domínio, quando e até quando. Um mostra para onde o domínio aponta; o outro, de quem ele é. A consulta WHOIS costuma exibir os servidores de DNS, o que ajuda a confundir os dois.
Por que o WHOIS não mostra mais os dados do dono?
Por causa das leis de proteção de dados, como o GDPR europeu e a LGPD brasileira. Nome de pessoa física, e-mail, telefone e endereço passaram a ser tratados como dados pessoais e, na maior parte dos domínios, aparecem ocultos ou substituídos por um canal de contato intermediário. Continuam públicos os dados cadastrais não pessoais e as datas.
Como consultar o WHOIS de um domínio .com.br?
Pelo próprio Registro.br, a entidade responsável pelos domínios .br: basta digitar o domínio na busca do site. Para domínios internacionais, como .com e .net, a consulta é feita nos serviços de WHOIS ou RDAP dos registradores e registros correspondentes. Em qualquer caso, a consulta é gratuita e não exige cadastro.
O que é RDAP?
É o sucessor técnico do WHOIS: um protocolo mais moderno que devolve os dados em formato estruturado, com suporte a autenticação e a diferentes níveis de acesso — o que permite mostrar mais informação a quem tem direito legítimo e menos ao público geral. Ele vem substituindo o WHOIS tradicional nos domínios internacionais, e a informação essencial continua a mesma.
Como sei se o domínio da minha empresa está no meu nome?
Consultando o WHOIS do seu domínio e olhando o campo de titular. Se aparecer o CNPJ ou o nome da sua empresa, está correto. Se aparecer o nome da agência, do desenvolvedor ou de um funcionário antigo, o domínio não é juridicamente seu — e transferir depois depende da colaboração de quem está no registro. É uma verificação de dois minutos que evita um problema de meses.
Vale a pena ativar a privacidade do WHOIS?
Para pessoa física, costuma valer: reduz spam, tentativas de golpe e contatos indesejados. Para empresa, a decisão é mais equilibrada, porque dados públicos de titularidade transmitem transparência a clientes e parceiros — e, no caso de domínios .br de pessoa jurídica, a identificação do titular já é parte do modelo. Em qualquer situação, ocultar dados de contato não altera a titularidade.